domingo, 21 de outubro de 2012

Porque o PÃO DE ACUCAR se chama PÃO DE ACUCAR



Os cristais formados nos tachos em fôrmas de metal que tinham o formato de um cone invertido pareciam com a montanha do Rio de Janeiro

Os Portugueses que chegaram ao Brasil no século XVI, acreditavam que o morro do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro fosse uma obra feita pelo homem
Diz a lenda que foi o próprio Padre Anchieta que colocou o nome no morro de "pão de açúcar" pois parecia com cones obtidos no refino do açúcar.

A forma de se produzir açúcar durante a renascença era através da purgação de açúcar ou a antiga maneira de se purgar o açúcar, isto é, separar os cristais formados do melaço, operação característica dos antigos engenhos de açúcar. Nos engenhos, essa separação consistia na colocação da massa cozida obtida nos tachos em fôrmas de metal que tinham o formato de um cone invertido, com um orifício inferior por onde o mel escoava por gravidade.
Charles Landseer circa 1827 Pão de Açucar visto da Estrada Silvester 

Para auxiliar a purga era necessário se manter o açúcar com um grau adequado de umidade, o que se conseguia através da colocação de uma ou mais camadas de barro, ou mesmo de estrume, na parte superior da fôrma, que eram cuidadosamente umedecidas a cada cinco ou seis dias. Essas operações tinham de ser feitas cuidadosamente, pois delas dependia a qualidade final do açúcar. Uma vez escoado o melaço, após um período que podia chegar a um mês, dependendo do clima, os cristais de açúcar estavam aglutinados e eram retirados das fôrmas em blocos que tinham tomado a geometria destas. Ora, isso guardava semelhança com a produção do pão, que também era assado em fôrmas, e assim por analogia, passou-se a denominar de "pão de açúcar" o cone de cristais obtido após a purga.

Philip-Galle-1537


Mas os cones não eram homogêneos quanto à qualidade do açúcar, nem tampouco eram práticos para se embalar e transportar. Assim, uma vez produzidos, eram quebrados, levando-se em conta as camadas mais claras e escuras, que correspondiam a um açúcar mais branco na base do cone e mais escuro em seu ápice. Essa é outra razão para as fôrmas serem cônicas, pois a região da base do cone, de açúcar mais branco, era bem mais volumosa do que a do ápice, onde o açúcar era mais escuro. As regiões do cone que tinham o açúcar mais escuro eram retiradas por intermédio de um facão, em uma operação denominada de "mascavar" e o açúcar escuro era chamado de "mascavado", que também significa "quebrado". O bloco restante de açúcar branco era desfeito com o auxílio de toletes de madeira e era posteriormente colocado em caixas para seu transporte. 


Havia também os açucares especiais, como a base do cone, que cuidadosamente cortada com a espessura de alguns centímetros, era embalada em palha ou couro, ou ainda aparada em formato de cubos, com a finalidade de se presentear. O melaço resultante da purga era enviado novamente aos tachos, onde durante sua concentração era batido com o auxílio de uma escumadeira e originava o açúcar "batido", tanto branco como mascavado. Esse processo é semelhante ao das "batedeiras" das atuais refinarias de açúcar amorfo. Os métodos descritos foram utilizados por centenas de anos, desde o advento da produção de açúcar. Com a invenção da centrifugação, como método de separação dos cristais de açúcar na primeira metade do século XIX, o sistema de se purgar o açúcar por gravidade empregando-se fôrmas foi rapidamente abandonado, tornando-se curiosidades do passado, assim como os vocábulos que se originaram dessas práticas.

2 comentários:

  1. eu estudo isso por mim eu avalio como 100 estrelas!!!

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  2. Olá! Eu estou realizando um projeto para aulas de história e geografia sobre o Engenho dos Erasmos da cidade de Santos e o Pão de Açúcar faz parte deste trabalho. Gostei muito das informações e das imagens, porém não tem referências. É possível colocá-las? Obrigado!!!

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