domingo, 26 de maio de 2013

Onde ver o Rio de Janeiro de Lima Barreto


O autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto morou na Ilha do Governador dos nove aos 21 anos. Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no dia13 de Maio de 1881, no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro, à Rua Ipiranga, N.º 18, segundo filho da professora pública Amália Augusta Barreto e do tipógrafo João Henriques de Lima Barreto. Em 13 de Outubro é batizado na igreja matriz de Nossa Senhora da Glória, no Rio de Janeiro.
 
Policarpo Quaresma e Lima Barreto
No dia 13 de maio de 1888, Lima Barreto ganhou um duplo presente de aniversario, teve sua matricula feita na Escola Pública do Rio de Janeiro, regida por D. Tereza Pimentel do Amaral, à Rua do Rezende n.º 143-A, e também na data de seu aniversario de sete anos, foi assinada a Lei Áurea, abolindo a escravatura. O filho de escravos libertos foi levado pelo pai para participar dos festejos que tomaram o Rio de Janeiro.

Em 11 de Fevereiro de 1890, o pai do escritor é demitido da Imprensa Nacional. Em 5 de Março seu pai, João Henriques é nomeado escriturário das Colônias de Alienados da Ilha do Governador. Em Novembro, Lima Barreto recebe, como prêmio escolar, um exemplar da obra de Luís Figuier: “As Grandes Invenções”.

Em Março de 1891, matricula-se como aluno interno, no Liceu Popular Niteroiense, dirigido por William Cunditt, custeado pelo padrinho, Visconde de Ouro Preto, em 20 de Março do mesmo ano, o seu pai é promovido a almoxarife das Colônias de Alienados da Ilha do Governador.

Em 12 de Janeiro de 1895, faz exame de Português, no Ginásio Nacional, Rio de Janeiro e é aprovado. Em 17 de Agosto, faz exame de Francês e também é aprovado. Em 10 de Janeiro de 1896, faz exames de História Geral e do Brasil – novamente foi aprovado. Dia 29 de Janeiro é aprovado no exame de Aritmética. Em Março, matricula-se, como aluno interno, no Colégio Paula Freitas, no Rio de Janeiro, à Rua Haddock Lobo – curso anexo de preparatórios à Escola Politécnica.
 
Casas na Praia da Guanabara, busto de Lima Barreto na Praça Calcuta e Paroquia Nossa Senhora da Ajuda - Ilha do Governador. O bairro parou no tempo. É o melhor lugar para se ver a atmosfera boêmia do Rio de Janeiro de Lima Barreto
Até mudar-se para o Sítio do Carico, na Ilha do Governador, o menino Lima Barreto já tinha passado por outras sete casas, morou, no Flamengo, Centro, Boca do Mato, Catumbi, Santa Teresa e, novamente, no Centro, antes de chegar à ilha.

A figura da casa sempre teve uma presença marcante na obra de Lima Barreto que, em romances, contos, artigos e crônicas, publicados em livros e periódicos, retratou os costumes e o Rio de Janeiro do fim do século XIX.

O ambiente tranqüilo da Ilha do Governador, que na passagem para o século XX ainda era uma área rural, produtora de lenha, cal, frutas e vegetais, ficou registrado em alguns dos 17 livros de Lima Barreto. O escritor citava o bairro em crônicas e utilizava as peculiaridades locais em sua obra ficcional. “Ele emprestou as características das casas para romances como ‘Recordações do escrivão Isaías Caminha’ e ‘Triste fim de Policarpo Quaresma’”, explica André Luiz, que também mora na Ilha.
 
Acolhedora praia da Guanabara - Ilha do Governador
As antigas casas, a bela praia e o panorama do Rio de Janeiro visto ao fundo faz com que tenhamos a impressão que voltamos no tempo. A impressão que dá é que vamos encontrar Lima Barreto bebendo num dos boêmios bares da Rua Praia da Guanabara.
O Sítio do Carico, como era chamada a propriedade, foi identificado recentemente pelo professor da UERJ, Sr. André Luiz dos Santos, citado em crônicas como “Homem ou boi de canga”, publicada no periódico ABC, em 29 de maio de 1920 e em “O Estrêla”, publicada quatro anos antes, no Almanaque D’A Noite. Até então, não havia nenhum registro do imóvel, que passou por reformas e fica dentro do Parque de Material Bélico da Aeronáutica (PAMB). Em “Triste fim de Policarpo Quaresma”, o Carico era chamado de Sítio do Sossego. Impressionada com o achado, a atual diretoria do PAMB resolveu inaugurar no local uma placa alusiva.

Lima Barreto bacharelou-se em Ciências e Letras, cujo curso foi custeado pelo Visconde de Ouro Preto, seu padrinho. O escritor chegou a iniciar o curso de Engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, mas em 1902, a doença do pai, que enlouqueceu, impediu que ele continuasse os estudos, pois tinha que ajudar a sustentar os três irmãos mais novos.
 
Antiga casa de onde morou Lima Barreto, Sitio do Carico - hoje dentro do Parque de Material Bélico da Aeronáutica (PAMB) - Ilha do Governador
No ano seguinte, Lima Barreto começou a trabalhar na Diretoria de Expediente da Secretaria da Guerra. Paralelamente, passou a colaborar em diversos jornais e periódicos cariocas. Em 1905, atuou como jornalista profissional no Correio da Manhã. Quatro anos mais tarde, seu primeiro romance, “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, foi lançado em Lisboa. Apesar da atuação na imprensa, o escritor nunca conseguiu independência finan- ceira. Acumulou dívidas para editar sua obra e sempre teve dificuldades para sustentar a família. Mulato, teve de enfrentar, ainda, a discriminação racial.

Lima Barreto foi derrotado duas vezes nas eleições para a Academia Brasileira de Letras. Inscrito pela terceira vez, acabou desistindo. Nos últimos anos de vida levava uma vida boêmia e lutava contra problemas de saúde. Em 1914, for internado em um hospício. Dois anos depois, doente, foi obrigado a interromper, por alguns meses, suas atividades profissionais e literárias. Em 1918 aposentou-se por invalidez e, em 1º de novembro de 1922, morreu de colapso cardíaco.

5 comentários:

  1. Já li que Lima Barreto passou uma grande parte de sua vida no Meyer, lugar que não é citado no post. Poderia me explicar?

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  2. Já li que Lima Barreto passou uma grande parte de sua vida no Meyer, lugar que não é citado no post. Poderia me explicar?

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  3. Oi Ricardo, desconheço essa parte da historia. Por favor, compartilhe conosco essa informação e a fonte.

    Muito obrigado por sua participação

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  4. Lima Barreto morou no Grande MEYER, no bairro Todos os Santos

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  5. morou sim.fui procurar e achei o terreno com uma casa em ruinas,nao sei se ainda existe.tem uns tres anos.

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