quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Como seria o Brasil se a cultura dos índios sobressaísse a dos portugueses?



Essa é uma pergunta retórica. Tem o objetivo de questionar a volta as origens essenciais da cultura Brasileira. É difícil extrapolar uma cultura dessas mas com certeza seria um pais com mais respeito pela natureza, menos desgaste entre as culturas que chegaram depois.

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A idéia aqui não é colocar o índio fora de seus valores, de sua terra, de sua essência. Pelo contrario – como aconteceu com muitas outras culturas prosperas (tais como a Japonesa, Chinesa, etc.) a idéia é extrapolar como que 200 anos (ou mais) de evolução fizesse com que essa cultura amadurecesse e se mostrasse importante para o resto do mundo.

Admiro muito como os Japoneses fizeram sobreviver muitos aspectos culturais dos seus antepassados tribais, os Ainos, e estes mesmos fizeram sobreviver muito de suas antigas tribos Okhotsk e Satsumon, e os acontecimentos que advirão da unificação dos shogunatos de 1590. Fatores históricos que fizeram com que cada integrante de sua cultura tivessem maturidade social e sobrevivessem a toda interferência cultural até os dias de hoje. "Temos que agregar o melhor da evolução social, tecnológica, etc, mas guardar e respeitar a nossa essência" dizia meu grande amigo descendente de Japoneses Pedro Takaki. Acredito que esta teria sido a evolução cultural mais adequada aqui no Brasil com nossas etnias locais.

Os povos indígenas brasileiros deram contribuições significativas para a cultura mundial, como a domesticação da mandioca e o aproveitamento de várias plantas nativas, como o milho, o tabaco, o guaraná, a erva-mate, a batata-doce, a pimenta, o caju, o abacaxi, o cará, o pinhão, o açaí, a pitanga, a jabuticaba, a mangaba, o cajá, o umbu, o urucum, o jenipapo, o maracujá, a goiaba, o pequi, o jambu, o jatobá, o buriti, a carnaúba, a juçara, a pupunha, o jerivá, a copaíba, a andiroba, o tucum etc. Além disso, difundiram o uso da rede de dormir e a prática da peteca.

Os brasilíndios tinham como organização básica a aldeia ou a taba, formadas pelas ocas ou malocas, dispostas em círculos, onde viviam as famílias. O governo era exercido por um conselho - nheengaba -, formado pelos mais velhos, e só em época de guerra escolhiam um chefe, o cacique ou morubixaba.

Assim como a cultura japonesa, as diversas etnias preservaram sua cultura e evoluíram muito em todos os outros aspectos. No Brasil idealizado sob estes preceitos, as grandes ocas comunitárias funcionariam como centros culturais, onde qualquer um poderia pousar e executar sua pesquisa ou trabalho.

Assim como os Japoneses que associam tradição a inovação as ‘Ocas Tecnológicas’ são a prova que as etnias brasileiras são evoluídas sem perder a essência.

Para que esta historia alternativa pudesse seguir seu curso na forma que especulo, muitas coisas deveriam ser alteradas no passado. Creio que a mudança mais importante seria a - não promulgação - da lei que proíbe o uso de idiomas indígenas em todo território nacional redigida pelo Marquês de Pombal.

A língua tupi era a língua originalmente falada pelos povos tupis da América do Sul (tupinambás, tupiniquins, caetés, tamoios, potiguaras, temiminós, tabajaras etc.). Foi aprendida pelos colonizadores portugueses e, por intermédio destes e de seus descendentes, se tornou o idioma mais usado no Brasil durante os séculos XVI e XVII

Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em Tupi Antigo- “xe pe Piratining çui” – “vou para o local onde os peixes são secos”) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.

O ponto final dessa cultura indianista se deu com o Irritado Marquês de Pombal (1699-1782), que então governava Portugal e suas colônias. Cansado dos problemas que tinha com uma falta de uniformidade de idiomas em São Paulo, resolveu impor o português por decreto, em 1758. O Diretório dos Índios, proibiu o uso de todas as línguas indígenas e o ensino do nheengatu, “invenção diabólica” dos jesuítas.

Hoje, o uso do Tupi Antigo, ou língua geral, base de todos os idiomas étnicos brasileiros, se restringe à região do alto Rio Negro e a um pedaço da Venezuela.

Eduardo Navarro fundador da 'Tupi Aqui', uma organização não-governamental (ONG) que tem por objetivo lutar pela inclusão do idioma como matéria optativa no currículo das escolas paulistas, assim como nosso querido Policarpo Quaresma, enxerga a importância cultural de nossa herança proibida por decreto "O Tupi Antigo foi a língua que falaram Tibiriçá, Coiobi, Araribóia, Felipe Camarão, Cunhambebe, Bartira, João Ramalho, Caramuru, Soares Moreno, Martim Afonso Leão, nomes a todos familiares desde o curso primário, língua que foi descrita a falada por Anchieta, por Luis Figueira, falada por Antonio Vieira, língua que em forma evoluída, Fernão Dias Paes, Borba Gato, Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhangüera), Raposo Tavares falaram e levaram com suas bandeiras para as regiões interioranas do Brasil, língua que Gonçalves Dias e José de Alencar tentaram aprender para compor suas obras e afirmar uma literatura nacional, em oposição a literatura lusitana".

O conceito de "índio" é uma invenção europeia. Os habitantes originais das Américas nunca se enxergaram como um povo uno. Pelo contrário, diferentes grupos indígenas nutriam grande animosidade e constantemente guerreavam entre si. No Brasil, os tupis viviam ao longo do litoral quando da chegada dos portugueses, sendo oriundos, no entanto, da Amazônia. Uma "identidade indígena" só foi criada séculos depois, com a chegada dos europeus.
Na cidade que evoluiu da cultura indígena a natureza é sempre respeitada e as casas ainda mantém o formato de ocas


A população indígena brasileira é formada por 238 povos completamente diferentes entre si. Essa diversidade fica clara quando pensamos na quantidade de línguas faladas no Brasil. Pesquisas do lingüista Aryon Rodrigues, da UNB, mostram que há 180 delas no país. Deste conjunto, algumas estão praticamente extintas, como a karipúna, que um único índio conhece.

Classificação

A primeira classificação dos indígenas foi feita pelos jesuítas, baseada na língua e na localização. Os que habitavam o litoral (os tupis), foram chamados de índios de língua geral e os que viviam no interior (tapuias), de índios de língua travada. No século XIX, o estudioso alemão Karl von den Steinen, apresentou a primeira classificação científica dos indígenas bra-sileiros, dividindo-os em quatro grandes grupos básicos ou nações: 


1)Tupis-Guaranis;

2)Jês ou Tapuias; 
3)Nuaruaques ou Maipurés e 
4)Caraíbas ou Caribas.


E quatro grupos menores: 


5)Goitacás; 

6)Panos; 
7)Miranhas; e 
8)Guaicurus.


Até meados dos anos 70, acreditava-se que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável porem algo incrível aconteceu. Nos anos 80, verificou-se uma reversão da curva demográfica e, desde então, a população indígena no país vem crescido de forma homogênea, indicando uma retomada demográfica por parte da maioria desses povos, embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA (Instituto Socioambiental), sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos.

Dos  238 povos listados 43 têm parte de sua população residindo em outros países. Segundo o Censo do IBGE de 2010, 896.917 pessoas se declararam  pertencentes a alguma etnia. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.

A Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC) confirma a existência de 28 desses grupos. Em toda a América Latina, o Brasil é o único país a ter um órgão específico para desenvolver políticas de proteção a indios isolados.

As cidades que mais concentram populações indígenas são:

1) São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,31%
2) Uiramutã (RR) – 74,41%
3) Normandia (RR) – 57,21%
4) Santa Rosa do Purus (AC) – 48,29%
5) Ipuaçu (SC) – 47,87%
6) Baía da Traição (PB) – 47,70%
7) Pacaraima (RR) – 47,36%
8) Benjamin Constant do Sul (RS) – 40,73%
9) São João das Missões (MG) – 40,21%
10) Japorã (MS) – 39,24%

Indianismo


Quadro de José Maria de Medeiros, personagem Iracema do Romance de José de Alencar, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de janeiro 1881


A partir do apoio de D. Pedro II aos intelectuais e artistas, o Romantismo brasileiro se transformou em projeto oficial, expressando sua ligação com a política. Para valorizar as origens da nacionalidade escolheu-se o índio, visto como parte integrante e como fundador da nação brasileira. Em 1856, quando Gonçalves de Magalhães publicou o poema Épico A Confederação dos Tamoios, obra financiada pelo Imperador, o índio passou a ser considerado o símbolo nacional. Idealizado, corajoso, puro e honrado, transformou-se na própria encarnação da jovem e independente nação brasileira, conduzida agora por D. Pedro II.

"Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy - umbigo do mundo -, descobriu, deslumbrado, a sua própria terra. A volta à pátria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surpreendente de que o Brasil existia. Esse fato, de que alguns já desconfiavam, abriu seus olhos à visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e misterioso. Estava criada a poesia `pau-brasil'."


Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico, procurou transformar o “bom selvagem” de Rousseau num aguerrido selvagem devorador, que digere e transforma a cultura européia do colonizador, tornando-a parte de sua própria cultura. Considerando a questão do “bom selvagem” no pensamento de Rousseau, é correto afirmar.

O mesmo olhar de Oswald de Andrade foi o que tive em um sonho de 1983 quando, ao se olhar através da luneta do professor Lanzza http://psico-pictografia.blogspot.com.br/2009/06/analise-de-sonho-luneta-de-lanza.html a verdadeira essência das coisas se misturam com seu estado de espírito e algo surpreendentemente novo surge.

O quadro de Tarsila do Amaral pintado em 1928, o Apapuru é a obra de arte brasileira mais valorizada no mundo, tendo alcançado o valor de US$ 1,5 milhão, pago pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995. Encontra-se exposta no Museu de arte latino-americana de Buenos Aires (MALBA). 

Abaporu vem dos termos em tupi aba (homem), pora (gente) e ú (comer), significando "homem que come gente".

O indianismo correu por algumas vertentes isoladas tais como O Indianismo barroco de Padre José de Anchieta; O Indianismo arcádico de Basílio da Gama, autor do poema épico O Uraguai; O Indianismo romântico de José de Alencar, na prosa, com os romances O Guarani, Iracema e Ubirajara, entre outros, nas artes plásticas, o quadro Moema, de Victor Meirelles, Marabá e O Último Tamoio, de Rodolfo Amoedo são grandes exemplos.

O Indianismo gonçalvino - Gonçalves Dias, na poesia, com poemas espalhados por vários livros, destacando-se I-Juca-Pirama, na qual relata a morte do último remanescente da tribo Tupi, devorado por índios da tribo dos Timbiras ; Marabá; bem como o inacabado Os Timbiras.

Dessa forma o movimento indianista se une ao modernismo antropofágico em nova tendência - O NOVO INDIANISMO.

Cauim

Uma tradicional bebida alcoólica dos povos indígenas do Brasil, obtida da fermentação da mandioca é encontrada nos dias de hoje somente em reservas indígena. Porem, nesse Brasil alternativo o Cauim é tão popular quanto a cerveja e é fabricado por diversas Cooperativas Tribais Limitadas (CTL) - uma forma de cooperativa com fins comerciais que tem como filosofia a sustentabilidade e compromisso com a sociedade. O mercado do Cauim no Brasil é avaliado em quase um bilhão de reais, cinco vezes menor do que o de cerveja, mas encontra grande expansão no resto do mundo.


 Diversas marcas de Cauim (fermentado de mandioca típico dos nativos brasileiros) competem nesse acirrado mercado de bebidas


Economia e sociedade 'Nova Tupi'


Nos dias de Hoje a agricultura é a principal atividade econômica dos povos indígenas, mas eles apreciam também a caça e a pesca, praticando-as sempre que possível. Realizam uma economia de subsistência, marcada pela distribuição e redistribuição dos bens produzidos e na qual relações de produção econômica, seja qual for a atividade, são pautadas por vínculos sociais definidos pelo parentesco. A “propriedade” (uso exclusivo) das roças e o consumo dos produtos é da família elementar, depois do nascimento dos filhos do casal, o que não exclui distribuição de bens produzidos ou adquiridos, serviços nas roças do sogro e a realização de mutirões dentro dos grupos macro familiares. A economia no Brasil alternativo 'Nova Tupi'tem as mesmas raízes. Apesar de ser um sistema econômico muito similar ao socialista é completamente capitalista. Os índios aprenderam desde cedo o que Darwin citou como ‘Adaptabilidade’. Os índios sabem como ninguém como se adaptar às necessidades da natureza e do homem. e aprendeu a lucrar observando detalhadamente os hábitos de consumo de sua economia. 

Muito investimento em pesquisa para comprovar o conhecimento adquirido por diversas gerações tornaram a ‘Economia Nova Tupi’ em líder mundial em biotecnologia, um dos mais prósperos motores da economia Brasileira dos índios. 

Também tem um conhecimento empírico sobre os recursos naturais, que aliado a pesquisas e altos investimentos nos últimos 100 anos, levou a a patamares extremamente elevados, o Brasil alternativo divide a primeira posição junto com os Estados Unidos a posição de maior economia mundial.


Na economia alternativa 'Nova Tupi' os restaurantes de comidas étnicas brasileiras não só tem grandes investimentos como também leva nossa cultura a todas as principais capitais do mundo



Como em qualquer civilização, os padrões de beleza e estética são muito radicalizados quando adolescentes os exploram. No caso de indígenas brasileiros os discos labiais usados ​​por Kayapos deram origem a muitas outras formas de piercings e adornos. O "piercing janela" é um disco de plexiglas embutido no lábio inferior e na bochecha para que se possa ver o interior da boca e a linha da gengiva. O conceito tomou uma nova vida com os jovens!



O "piercing janela" é um disco de plexiglas embutido no lábio inferior e na bochecha para que se possa ver o interior da boca e a linha da gengiva. 

Conclusão 

A lição que se aprende ao filosofar sobre tal consideração é a de que 'não é tarde de mais'. Ainda podemos e devemos nos orgulhar de nossas origens, valoriza-las e fazê-las sobreviver, viver feliz e prosperar.  Talvez em dias próximos vejamos cenas como essas sem associarmos à ficção.


Como vivem as diversas etnias hoje no Brasil

Etnia: Aikewara

Etnia Aikewara - Família: Tupi-Guarani Tronco: Tupi - Localização: Pará - População: 330 (Funasa, 2010)

Conhecidos como “Suruí do Pará”, falam uma língua pertencente ao tronco tupi, da família lingüística tupi-guarani. Os primeiros contatos ocorreram a partir de 1960 pelo então SPI – Serviço de Proteção ao Índio. Habitam a Terra Indígena Sororó, demarcada e homologada, às margens da BR-153, no município de São Domingos do Araguaia, região de Marabá, no estado do Pará. Embora com as terras reduzidas, sobrevivem da caça, com uma pequena criação de peixes e frangos. Muitas de suas tradições estão mantidas.

Na década de 70, aliciados pelo Exército, quatro guerreiros Aikewara serviram de guias e batedores no combate aos guerrilheiros do Araguaia, com a promessa de ampliação de seu território, até hoje não cumprida. Estão em ascensão cultural, recuperando grande parte de suas tradições, graças aos incentivos da participação em eventos culturais e ao Projeto Esporte Solidário do Ministério do Esporte. Sua população é de 210 indígenas. Pela terceira vez participam dos Jogos Indígenas.

Etnia: Apinajé

Etnia Apinajé - Família: Jê - Tronco: Macro-Jê - Localização: Tocantins - População: 1.847 (Funasa, 2010)

Falam o dialeto Apinajé, da língua Timbira, da família linguistica Jê, do tronco Macro-Jê. De acordo com Curt Nimuendaju, etnólogo pioneiro no estudo desse povo, o nome Timbira, admite que, se é de origem tupi, então pode significar "os amarrados" (tin = amarrar, pi'ra = passivo), uma referência às inúmeras fitas de palha ou faixas trançadas em algodão que os Apinajé usam sobre o corpo: na testa, no pescoço, nos braços, nos pulsos, abaixo dos joelhos, nos tornozelos. Porém, eles se autodenominam Mehím.

Etnia: Awá Guajá

Etnia Awá Guajá - Família: Tupi- Guarani - Tronco: Tupi - Localização: Maranhão e Pará

Os Guajá se autodenominam Awá, termo que significa "gente, ser humano", além de outras denominações como Wazaizara (Tenetehara), Aiayé (Amanayé), Gwazá. Habitam a Terra Indígena Awa, município Carutapera, Bom Jardim e Ze Doca, estado do Maranhão.

Acreditam que sejam originários do baixo rios Gurupi, Guamá e Capim no estado do Tocantins. Formavam, provavelmente junto aos Ka'apor, Tembé e Guajajara (Tenetehara), um conjunto maior, da família lingüística Tupi-Guarani naquela região.

A chegada dos colonizadores fez com que houvesse uma dispersão dos mesmos. Acredita-se que a partir do conflito da Cabanagem, em torno de 1835-1840, este conjunto iniciou uma migração no sentido leste, rumo ao Maranhão. É provável que por volta de 1950 todos os Guajá já estivessem vivendo neste estado no leste do rio Gurupi e entre os rios Caru e Turiaçu. A língua falada é da família lingüistica Tupi-Guarani. Da mesma origem são suas tradições culturais. A população Awá Guajá atual é de aproximadamente 257 pessoas vivendo sob a assistência da Funai e pelo menos outros seis grupos vivendo autonomamente. Praticamente não têm contato com os não-índios. A maioria ainda não teve. Participarão dos jogos pela primeira vez.


Etnia: Bakairi

Etnia Bakairi -Família: Karib - Localização: Mato Grosso - População: 950 (Taukane, 1999) 

Povo que habita as terras indígenas Santana e Bakairi, nos municípios de Nobres e Paranatinga, no estado do Mato Grosso, ambas demarcadas e localizadas no norte do cerrado mato-grossense, à margem do Rio Paranatinga (Teles Pires). Se autodenominam Kurá, que significa gente (ser humano). A língua falada é o Bakairi, pertencente à família Karib. Sua história é marcada por muita violência, como a da maioria dos grupos indígenas no Brasil. Entre as violências contra eles praticadas, os Bakairi de Santana trabalharam na extração da borracha, inclusive nas suas próprias terras, para os seringalistas que ocuparam suas terras e foram proibidos de falar a sua língua. Parcelas desses Bakairi migraram para o Paranatinga, nas décadas de 20 e 60. Muitos anos depois é que os próprios Bakairi expulsaram os invasores de Santana, reconquistando suas terras. Os Bakairi do Paranatinga foram guias e intérpretes nas expedições de Steinen - realizadas em 1884 e 1887.

Em 1920 foi criado o Posto Indígena na Terra Indígena Bakairi (SPI). Na década de 80, são financiados projetos comunitários com recursos do Banco Mundial, que introduziram a lavoura mecanizada. Nesse período, reconquistaram uma pequena parte de terras que ficou de fora no processo de demarcação.

Os Bakairi praticam muito de sua cultura tradicional, como os rituais sagrados Kápa, Kwamby, Âriko e a Festa do Yamurikumã, que está inserida as lutas corporais feminina e masculina, o Tâdâwinpadyly, além de outros rituais coordenados pelos pajés. Destacam-se pelas suas pinturas corporais e seus cantos, assim como os povos indígenas do Xingu, seus vizinhos. Os Bakairi praticam o Huka Huka, como os povos xinguanos também o fazem. Sua população é de aproximadamente mil pessoas e participaram em todas edições dos jogos.


Etnia: Bororo
Etnia Bororo - Boe  Família: Bororo - Tronco: Macro-Jê - Localização: Mato Grosso- População: 1.571 (Funasa, 2010)


Conhecidos como Bororo Oriental ou Orarimogodógu e chamados também de Coroados ou Parrudos, habitam a região do planalto central no Estado de Mato Grosso, distribuídos em cinco Terras Indígenas já demarcadas: Jarudore, Meruri, Tadarimana, Tereza Cristina e Perigara. Sua língua falada é o Bororo, do tronco lingüístico Macro-Jê e a sua população é de aproximadamente duas mil pessoas. Praticam os rituais como a Furação de Orelha e Lábios, sem esquecer o Ritual do Funeral, que é sagrado para quem se considera índio (Boe). Realizam ainda a Festa do Milho, para celebrar a colheita do cereal, alimento importante na nutrição dos índios. Sua história é de muita resistência ao avanço das frentes e expansão em território. A “pacificação” ocorreu no final do século XIX. Tradicionais caçadores e coletores, adaptaram-se à agricultura, da qual hoje extraem sua subsistência.

Foram os primeiros campeões gerais dos I Jogos dos Povos Indígenas realizado na cidade de Goiânia em 1996. Destacam-se na confecção de seus artesanatos de plumagem (cocar e braçadeiras em penas), bem como na pintura corporal em argila, peculiar a esse grupo. Participam dos Jogos desde sua primeira edição.

Seus Mitos e História: Bakaru é o que define a história religiosa, indica também código de comportamento, normas educativa, explicativa de fenômenos (mistérios).

Os Bororo estão divididos em duas metades exogâmicas: Os Ecerae e os Tugarege, que subdividem em quatro clãs cada. Esta estrutura se reproduz na localização das ocas, nas aldeias e acampamentos, na colocação das pessoas no Baito ou Baimangejewu (casa do centro) e na colocação Aroe Eiao (funeral e cemitério), assim como em toda maneira de pensar e agir bororo. No âmbito de toda a nação Bororo, os membros de cada um dos oitos clãs formam uma fraternidade, pela qual se reconhecem e se aceitam como membros da mesma família em qualquer lugar. Dentro de cada clã, há uma comunhão de bens culturais (nomes, cantos, pinturas corporais, enfeites, adornos, seres da natureza) que só podem ser usados pelos membros desse determinado clã, a não ser que este direito seja participado a outras pessoas em “pagamento”, mori (couro de onça, flechas, colar e outros ), por favores recebidos.

Quando nascem, os filhos fazem parte do clã da mãe para nomeação e herança cultural (sistema matrilinear). As relações sociais funcionam na base de troca pessoas e mútua prestação de serviços basicamente entre as duas metades exogâmicas – Ecerae e Tugarege.

Um dos grandes líderes desse povo foi o ancião Frederico Tugore, mestre historiador da cultura tradicional Bororo. Que teve a oportunidade de percorrer e conviver com todas as comunidades (aldeias) Bororo existentes e com outras que já desapareceram na metade do século passado. Possuía imaginação e memória prodigiosa, característico senso de humor, uma profunda sensibilidade e uma admirável capacidade de comunicação. Sua inteligência o coloca não simplesmente entre os transmissores mecânicos de uma cultura estatística, mas entre os grandes sábios criadores e mantenedores de cultura. Era capaz de explicar todos os fenômenos do universo cósmico e espiritual que envolve e penetra a vida de seu povo. Deixou um imenso legado cultural alicerçado no Bakaru. Outro grande defensor do povo Bororo, foi o padre Salesiano, Rodolfo Lunkenbein, assassinado barbaramente em 15 de julho de 1976, por reivindicar a demarcação das terras indígenas Merure. Foi enterrado no cemitério da própria aldeia, de acordo com a tradição e honra Bororo.



Etnia: Enawenê-Nawê
Etnia Enawêne-Nawê - Família: Aruak - Localização: Mato Grosso - População: 566 (Funasa, 2010)

Falam a língua salumã, pertencente à família lingüística Aruak. Habitam a Terra Indígena Enawene-Nawe, totalmente regularizada, uma região de vegetação variada, com cerrado e floresta tropical localizada no vale do afluente rio Juruena, a noroeste de Mato Grosso, município de Juína, Comodoro e Campo Novo dos Parecis – MT. Vivem neste território em uma única aldeia, próxima ao rio Iquê, porém os rituais e cerimoniais culturais ocupam outros pontos de sua terra. Os Enawenê Nawê se dividem em nove clãs distribuídos em nove hakolo (malocas) que, além de corresponderem à unidade de troca matrimonial, desempenham funções econômicas e rituais. Além dessa divisão em clãs, compreendem-se, socialmente, em três grupos: o residencial, o doméstico e o familiar. Eles que são responsáveis pela construção, restauração e manutenção dos hakolo (malocas). Nelas, os Enawenê Nawê se organizam em grupos domésticos, constituídos da união de grupos familiares. Como na maioria dos grupos indígenas, os homens, uma vez casados, passam a morar na casa dos seus sogros. Cada maloca mede 30 metros de comprimento por 6 de largura. A altura pode chegar a até 5 metros. Assim, é formado o grupo residencial doméstico, que tem seu próprio fogo, sua própria roça e coleta de frutos silvestres.

Tradicionalmente, não consomem caça e não têm o hábito de caçar. O peixe é a principal base protéica de sua alimentação e é recolhido em grandes pescarias coletivas. No entanto, essa comida tradicional está seriamente ameaçada. Outra opção de comida é a mandioca. Acreditam que a raiz seja ligada ao espírito aos espíritos Yakairiti. São plantadas em roças coletivas e homenageadas com o ritual Lerohi no mês de agosto, onde é feito o beijú e uma bebida fermentada. O milho também é cultivado, mas sempre em mata ciliares, que está relacionada ao espírito dos céus, o Enore. É consumido em forma de mingaus, bolos e sopas. Atualmente vivem em constante risco de contraírem doenças, porque suas águas estão sendo poluídas por invasões freqüentes de garimpeiros.

Os primeiros contatos foram feitos por volta de 1974, com os jesuítas Vicente Cañas e Tomáz de Aquino Lisboa, membros da Missão Anchieta, quando a sua população era de apenas 100 pessoas. Eram conhecidos como Salumã. Por meio do povo Pareci, seus vizinhos próximos, em 1983, é que descobriu-se a verdadeira autodenominação do grupo. Dificilmente deixam suas aldeias para contato com os não-índios, mantendo sua autonomia devido à privilegiada localização geográfica. Dessa forma, poucas coisas, tais como ferramentas (machado, facão, enxada e outros) e medicamentos, interferem no seu modo de vida. Os Enawenwnawê são alegres e ricos em diversidade musical e danças, bem como nas indumentárias, que caracterizam sua peculiaridade. São muito espiritualistas, tendo essas atividades orientadas pelo calendário ritual e acreditam que há um outro tipo de vida após a morte.

Desconhecem o uso do dinheiro e comércio da maneira como é utilizada na sociedade não-indígena. Poucos entendem o idioma português. Esse povo tem consciência dos limites de sua terra, que lhes é sagrada, e da necessidade de defendê-la. A OPAN – Operação Anchieta - desenvolve um trabalho indigenista entre esse povo. Sua população é de aproximadamente 330 pessoas. Pela terceira vez, deixarão sua aldeia com uma delegação de 30 atletas para participar do evento. Eles praticam uma modalidade esportiva com bola de látex, jogada apenas com a cabeça, o Xikunahity (pronuncia-se Zikunariti), que também praticado pelo Povo Pareci.


Etnia: Karajá

Etnia Karajá - Família: Jê - Tronco: Macro- Jê - Localização: Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará - População: 3.198 (Funasa, 2010)

Habitam a Terra Indígena do Parque do Araguaia na Ilha do Bananal, municípios de Formoso do Araguaia, Pium e Cristolândia, no estado do Tocantins. Os grupos indígenas falantes de língua Karajá sempre viveram no vale do Araguaia. No final do século 16, expedições escravistas percorreram o Araguaia atacando as aldeias e aprisionando índios. Na década de 40 (Estado Novo), a região começou a ser efetivamente ocupada. Em 1959, foi criado o Parque Nacional do Araguaia, abrangendo a totalidade da Ilha do Bananal (mais de 2.000.000 ha), ignorando as populações indígenas que habitavam a região.

O contato com a população branca se intensificou com a exploração de ouro e a expansão pecuária na região, ocasionando perdas físicas e culturais. Um segundo decreto presidencial, em 1971, criou o Parque Indígena do Araguaia, com 1.540.000 ha e, em 1973, reduziu-se para 1.395.000 ha. Em 1980, um terceiro decreto presidencial alterou a área integrando a aldeia Macaúba ao Parque Indígena Araguaia. Em 1998, foi homologada pelo decreto s/nº, de 14/04/98, com o nome de Terra Indígena do Parque do Araguaia.

Uma característica entre os Karajá como um todo é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a fala dos homens, feita através de alguns fonemas e expressões específicas para cada gênero, que é mais acentuada entre os Karajá propriamente ditos, expressando uma forte divisão entre os papéis masculino e feminino. O grupo tem origem lingüísticas Macro-Jê.

Os Karajá possuem íntima relação com o Rio Araguaia, fonte de sua subsistência preferencial. Segundo o mito de criação, os Karajá saíram do fundo desse rio e ocuparam as terras perto das margens. O contato direto e a interferência do homem branco fizeram com que perdessem muito de sua cultura. Apesar disso, guardam muitas tradições culturais, que são demonstradas em seus cantos, como a Festa do Hetohoky, "Casa Grande", e também estão inseridas nas danças e lutas corporais "ijesu", onde principalmente os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra Festa é a do Aruanã, em homenagem ao peixe da região, que eles crêem proteger a todos os Karajá.

São muito ricos na fabricação de seus artesanatos "aõrity" e os ardornos "isiywidyna". Destacam-se também pelas suas plumagens, cestarias e cerâmicas. No esporte, os Karajá do Tocantins, possuem estilo próprio para as lutas corporais. Os atletas iniciam a luta em pé, se agarrando pela cintura, até que um consiga derrubar o outro ao chão, logo o atleta vencedor abre os braços e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave. Participam desde a primeira edição dos jogos.


Etnia: Kayapó

Etnia Kayapó - Família: Jê- Tronco: Macro- Jê - Localização: Mato Grosso e Pará-População: 5.923 (Funasa, 2006)
Se autodenominam Mebêngôkre, "Gente do Buraco do Rio" ou seja, me (gente), be (condição ou estado de ser), ngô (água) e kre (buraco), na linguagem Tupi "Kai-pó", quer dizer "carrega o Fogo". É um povo bastante numeroso nos estados do Pará e Mato Grosso, estimado em aproximadamente 5.000 índios. Habitam as terras indígenas Kayapó, Baú, Mekrkãgnoti, Bejenkôre, no estado do Pará, e Kapoto/Jarina, estado de Mato Grosso. Os Kayapó atuais descendem de um grande grupo indígena denominado Goroti-Kumrem, que se dividiu em dois blocos, de um lado os Kayapó-Gorotire, e os Kokorekre que já desapareceram, os Menkrãgnoti, Metutktire ou Txukarramãe, Ô-Ukre, Paka-nú, Kubenkrãkein, Kôkraimore, Krikretum, Kararaô e os Pore-Kru que deram origem aos Xikrin A parte oriental do povo Kaiapó foi contatada por volta de 1940, e a parte ocidental na década de 50, pelos irmãos Villas Boas. Viveram em guerra com tribos vizinhas como os Karajá, Juruna, Xavante, Tapirapé e Panará, mais conhecidos como Kren-Akarore. Protegem com muito rigor suas terras. As aldeias têm as casas dispostas em formato circular com uma grande praça ao centro, onde se realizam seus rituais.

Conhecidos por sua bravura, os Kaiapó são guerreiros, mantêm sua cultura tradicional, são exímeos artesãos e têm na borduna um símbolo das armas de caça e guerra. Um aspecto forte de sua cultura é a pintura corporal, realizada com primorosa habilidade pelas mulheres, com desenhos perfeitos em linhas geométricas, que as crianças e adultos de ambos os sexos costumam usar, em festas que constituem outro aspecto muito especial da cultura desse povo. Essas festas chegam ao clímax depois de um período de meses durante o qual cada ritual se ajusta em todo aspecto com seus cantos, danças e cerimônias tradicionais para ocasião de cada festa. A língua falada é o Kayapó, do tronco lingüístico Macro-Jê, que possuí 17 vogais e 16 consoantes e padrão distinto de entoação, as vogais são prolongadas para dar ênfase. No caso dos Kaiapó de Menkragnoti o dialeto é o menkragnoti. No artesanato, tem uma variação de adornos (cocares, braceletes) e ornamentos fascinantes. São caçadores e coletores.

Cultivam a plantação de mandioca, milho, batatas e outros. Os Kayapó já comercializam a castanha-do-pará, outros já passaram a vender a madeira de lei como o mogno e o cedro. Em todas as aldeias já existem escolas e o ensino bilíngüe. Sua população é de aproximadamente 5.000 pessoas. Participaram de todas as edições dos jogos.

Ronkrã: É um esporte tradicional do Povo Kayapó. É jogado num campo de dimensão semelhante ao de futebol, entre duas equipes de 10 atletas de cada lado, em que cada atleta usa um bastão de aproximadamente 1,30 m (espécie de borduna), o Akêt. Um côco de babaçu (bola), o Ronkrã é colocada no centro do campo e o objetivo é ir tocando a bola com o bastão contra o oponente, até passar a linha de fundo, marcando, assim, o ponto. Não há juiz, o tempo de duração da peleja é de acordo com a desistência de qualquer uma das equipes, geralmente é a que está em desvantagem. Não há um prêmio para equipe ganhadora e sim um reconhecimento de demonstração de força e habilidade.

Kagót: É considerado um esporte também praticado pelos Kayapó. Participam dois grupos em números não determinados. Começa com os grupos dançando separadamente, aproximando-se um do outro, para um "confronto". Porém, passam lateralmente um grupo do outro. Daí é que, simultaneamente, arremessam as flechas uns contra o outro, visando acertar o oponente, o que caracteriza os pontos.

Etnia: Pataxó

Etnia Pataxó - Hã-Hã-Hãe - Família: Maxakali - Tronco: Macro- Jê - Localização: Bahia

Vivem na região interna à faixa litorânea dos estados de MG, BA e ES. Sofreram muito com o contato imposto pelos portugueses, foram perseguidos e proibidos de falar a própria língua e de praticar rituais religiosos e culturais, perdendo praticamente toda sua forma cultural. Algumas pessoas ainda falam a língua do tronco macro-jê. Ainda praticam a dança tradicional chamada Toré. Apesar do contato permanente com a sociedade não indígena, sempre procuraram resistir e hoje restam poucas características indígenas.

Os Pataxó lutam pela recuperação de suas terras e pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo indígena. Um de seus líderes, Galdino Jesus dos Santos, morreu queimado no dia 21 de abril de 1997 em Brasília, quando lutava em busca seus direitos. Participam pela quarta vez dos jogos.


Etnia: Xerente
Etnia Xerente - Família: Jê - Tronco: Macro- Jê - Localização: Tocantins - População: 3.017 (Funasa, 2010)
A população indígena Xerente é constituída de 2.800 indivíduos, distribuídos em 37 aldeias em duas nas terras indígenas - Xerente e Funil - numa área de 183.542 hectares, no município de Tocantínia, no estado do Tocantins. Os Xerente se auto-denominam Akwe e são falantes da língua Jê, do tronco lingüístico macro-jê.

Apesar do contato com a sociedade não-índia há mais de 200 anos, os Xerente ainda realizam a festa para dar nome aos meninos e às meninas, e o ritual do Kupré, que consiste em homenagear os mortos após uma semana de seu falecimento. Na sociedade Xerente, bem como em outros povos indígenas, os velhos e as crianças são muito respeitados. Os velhos porque detêm o conhecimento tradicional do seu povo e procuram repassá-los aos mais jovens, enquanto que as crianças são o futuro e a continuidade da sua etnia e cultura.

Atualmente, os Xerente são atendidos por um Programa PROCAMBIX – Programa de Compensação Ambiental Xerente, gerenciado pelos próprios índios, e criado para compensá-los pelos impactos da construção da Hidrelétrica Eduardo Magalhães, em Lajeado.

O objetivo do Procambix é melhorar a qualidade de vida indígena, desenvolvendo projetos direcionados a produção de alimentos em quantidade para todas as 500 famílias, capacitação de índios para a fiscalização e preservação ambiental, bem como a valorização e divulgação da sua cultura, com a finalidade de atingir à completa sustentabilidade de todos.

O Artesanato é confeccionado com palhas de babaçu, capim dourado, seda de buriti e sementes usados para confeccionar bolsas, cestas, esteiras, balaios, redes e enfeites, como os colares e brincos. Esses produtos são vendidos aos lojistas das cidades vizinhas e também aos turistas que visitam a região próxima à área indígena.

Entre os esportes praticados, destaca-se a corrida de tora, para a qual têm dois times: sterromkwá e htamhã . As toras são ornamentadas com motivos inspirados na cobra sucuri e no jabuti.



Etnia:Yawalapiti

Etnia Yawalapiti - Família: Aruak - Localização: Mato Grosso - População: 237 (Funasa, 2010)

Habitam a Terra Indígena Parque do Xingu, próximo ao Posto Leonardo. Somam 196 indígenas do tronco lingüístico Macro-Jê, da família Aruwak. Os Yawalapiti são índios pequenos e robustos, que vivem às margens de uma grande lagoa. Têm o costume de trocar utensílios com os Aweti, com os quais também trocam mulheres. Ambos vivem de pesca e caça e de roças de milho, batata-doce, cará e mandioca. Sua aldeia é asseada e eles têm aspecto saudável. Suas crianças confeccionam artesanatos desde cedo, passando as tradicões de geração para geração, sem deixar a cultura morrer. Na época da criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961, os últimos Yawalapiti andavam dispersos por outras tribos. Os irmãos Villas Bôas reuniram 16 deles, formando uma pequena aldeia, que hoje abriga 140 indivíduos.

Os Yawalapitis ainda vivem da pesca, caça, coleta e roças. Em 1988, pela primeira vez na história, os índios do Alto Xingu encenaram na aldeia Yawalapiti uma cerimônia do Kuarup, ritual da lembrança dos mortos, para ser mostrado num filme de Ruy Guerra. Naquela ocasião, a cerimônia foi feita em homenagem ao avô de Aritana, famoso cacique Yawalapiti. Participam dos Jogos em conjunto com outros povos do Alto Xingu e se destacam na demonstração do Huka-Huka, praticado pelos Yawalapiti desde criança.

4 comentários:

  1. olá!

    sou professora em Artes e adorei seu blog, riquíssimo em informações genuinamente brasileiras!

    grande abraço!

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  2. Quando voce primeiro leu "erro de portugues" de oswald?

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  3. De fato - aqui seria o acerto do indio em tentar vestir o Português. rsrs - grato pelas críticas forte abraço/grande beijo!!

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  4. Charles fez perfeita observação, o Erro de português de Oswald de Andrade se encaixa perfeitamente ao espirito da matéria acima -

    Quando o português chegou
    Debaixo duma bruta chuva
    Vestiu o índio
    Que pena!Fosse uma manhã de sol
    O índio tinha despido
    O português

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