quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Vovô Índio o Papai Noel Brasileiro

 
Papai Noel nos trópicos conta com seu co-relativo, O Vovô Índio, para a entrega de presentes . Os bons velinhos adorados por crianças ingênuas, tem orígens um pouco mais ideológicas

Se a moda tivesse pego, hoje desejaríamos 'T’îandé roryb Jesu'asagûera resé!!!'* Em vez de 'Feliz Natal!!!'.

No dia 24 de dezembro de 1932 a chamada do jornal carioca O Globo era "Vovô Índio e as crianças" , o bom velinho de plumas na cabeça havia sido responsável pela entrega de presentes numa escola municipal carioca.

Um pouco antes, no dia 28 de novembro, o mesmo O Globo, havia publicado um manifesto em defesa do Vovô Índio — sob o título "Vamos fazer um Natal brasileiro?" — e, em 20 de dezembro, uma declaração de guerra ao bom velhinho — "Pela deposição de Papai Noel" era o nome do texto.

O Vovô Índio chegou em São Paulo um pouco mais tarde, no ano de 1935 quando a entrega de presentes a órfãos paulistanos foi noticiada pelo O Estado de S. Paulo,  numa ação promovida pela Força Pública, instituição antecessora da atual Polícia Militar.

AS ORÍGENS

Pouco se sabe das origens do personagem, segundo o historiador Leandro Pereira Gonçalves, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora e autor de, O Fascismo em Camisas Verdes: do Integralismo ao Neo integralismo, o historiador Philippe Arthur dos Reis lembra que o personagem já aparecia anteriormente no cenário musical e artístico brasileiro. "O JB de Carvalho, por exemplo, poeta de macumbas, já colocava em perspectiva a idéia do Vovô Índio como defensor da cultura. Ele fazia isso da perspectiva de um músico colocando em evidência a cultura negra e indígena.

"A fábula do Vovô Índio dizia que ele era filho de um escravo africano com uma índia. Foi criado por uma família branca e, por influência de seus irmãos, deixou de ser escravo", explica o jornalista Marcelo Duarte em seus livro O Guia dos Curiosos - Fora de Série.

No meu natal desse ano o Papai Noel e o Vovô Índio, chegam carregados de presentes pra mim!!
Oba!!!
Papai Noel chega falando inglês e português, enquanto que Vovô Índio me deseja bênçãos em Tupi Antigo:

“Feliz Natal!!, Merry Christmas!!!”
“T’îandé roryb Jesu'asagûera resé!!!”*

—//—
Eu fico feliz porque ganho brinquedos e pq amo esses bons velhinhos!!!

A melhor oração que existe são as palavras doces, ditas em voz alta, direto do coração, dirigidas a seu irmão humano, que as recebe e expande em enorme alegria.
Por outro lado, a grande punição recebe aquele que com grosserias maltrata seu irmão. As más palavras são marcadas a ferro em brasa em seu coração.
Que dirá então das ações…

——//——

A década de 1930 foi o ano dos ‘bons velhinhos’, criados por duvidosos adultos, não tão bem intencionados, para as ingênuas criancinhas se divertirem.
Os integralistas criaram o ‘Vovô Índio’ (meu Papai Noel preferido que fala Tupi-Antigo) e os capitalistas criaram o Santa Claus da Coca-cola. Ambos muito fofos, com aval do cristianismo e  bem legais!!

Em alguns natais, Papai Noel recompensa os bons com brinquedos, enquanto Zwarte Piet pune os maus, com a ausência deles.
Na tradição judaico-cristã acredita-se que “Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios 15:3)

Nas redes sócias a punição veem daqueles pentelhos lacradores e intolerantes, muito preocupados em gritar mais do que ouvir, embrutecidos pela ignorância, determinados a maltratar o coleguinha, falsamente acreditando que se faz crescer encima da inadequação do próximo, que com grande rispidez, é obrigado a ver suas crenças subjugadas e convertidas em amargos remédios ou placebos, a serem engolidos.

Que desse natal em diante aprendamos a conviver com o enorme poder a nós concedidos pelas redes sociais, que voltemos a nós integrar e nos respeitar, principalmente aqueles coleguinhas que pensam diferente, que possamos por fim, dizer coisas doces ao maior número possível de gente, para que muita gente fique feliz.
Amém!!!

Bom natal de coração!!!
Aproveite seu natal da melhor forma, acreditando naquilo q quiser!!


*'Que tenhas alegrias nesa celebração do nascimento de Jesus' em Tupi antigo

domingo, 31 de outubro de 2021

Hoje é dia do Saci

 

Ererobîa-pe Saci Pererê?* “Saci não existe” - não acredite nos Sacis, eles mentem muito - rsrsrsrsrsrsrs *Acreditas em Saci Pererê? - em Tupi Antigo 

Hoje, 31 de outubro é dia do Saci-Pererê, a manifestação máxima da síntese cultural brasileira. Mistrura básica das três culturas essenciais, formadoras do nosso DNA. 

Segundo o estudioso Eduardo Navarro, o nome vem do Tupi Antigo, PEREREK, vervbo para se andar aos pulos - a îuí perereka é o nome de uma rãzoinha, que mais tarde se incorporou à lingua protuguesa como perereca. a seguir a conhugação do verbo:

  • Ixé apererek - eu vou aos pulos;
  • Ende erepererek - tu vai aos pulos;
  • a'e opererek - ele / ela vai aos pulos;
  • Inadé îapererek (nós inclusivo) vamos aos pulos;
  • oré orópererek (nós exclusivo) vamos aos opulos;
  • pe˜e pepererek - vocês vão aos pulos;
  • a'e opererek - ele / nós vamos aos pulos;

Além das influências indígenas tardias (não pertencente ao panteão ancestrral nativo brasileir), teve também influência de contos antigos dos escravos africanos. 

Existem algumas diferenças entre a lenda existente nos países vizinhos e a versão que se popularizou no Brasil. Lá fora, o yacy não é negro e, diferentemente do saci brasileiro, que é careca, o yacy possui cabelos loiros e não usa gorro vermelho. Além disso, possuía uma varinha mágica de ouro e utilizava um chapéu de palha.

Na lenda paraguaia, o yacy atraía crianças, aos montes, por meio de seu assovio, a fim de brincar com elas para, em seguida, fazer-lhes uma maldade, deixando-as surdas, por exemplo. Na Argentina, yacy era conhecido por raptar moças solteiras e engravidá-las. As diferenças existentes entre a lenda brasileira e a estrangeira são as diferentes influências culturais sob a história.

A história do saci ficou nacionalmente famosa por meio de Monteiro Lobato, um famoso escritor brasileiro do século XX e conhecido por ser o criador do Sítio do pica-pau-amarelo. Em 1917, Lobato fez um inquérito, no jornal O Estado de São Paulo, sobre o saci. A ideia era colher as respostas dos leitores acerca das versões da lenda.a lenda diz ainda que quando o mito migrou para o norte, o personagem recebeu fortes influências africanas dos escravos que foram trazidos para o Brasil, que contavam histórias do Saci para divertir e assustar as crianças. Nesses contos, o Saci passou a ser descrito como um jovem negro com apenas uma perna, porque, de acordo com o mito, ele perdeu a outra em uma luta de capoeira.

Monteiro Lobato recebeu dezenas de respostas e utilizou-as para compilar um livro sobre esse personagem do folclore brasileiro — o primeiro na história do Brasil. Esse livro chamava-se Sacy-pererê: resultado de um inquérito e foi publicado em 1918, com dois mil exemplares. Anos depois, em 1921, Monteiro Lobato publicou O saci, voltado para o público infantil.

Vladimir Sacchetta, além de ser um dos autores de "Furacão na Botocúndia", biografia a seis mãos de Monteiro Lobato lançada em 1998, também organizou a enciclopédia Nosso Século, obra de referência inevitável para a memória do século 20.

"O Dia do Saci foi criado com o propósito de espezinhar, com humor (quem cria uma "Sociedade dos Observadores de Saci" só pode ser bem humorado ou humorista), a absorção da efeméride gringa do Dia das Bruxas, gringa como todas as efemérides. Feito para marcar resistência, vocês vão importar a abóbora e o "travessuras ou gostosuras", mas vão ter que aguentar o duende caipira de uma perna só, cachimbo de barro, mão furada e gorro vermelho.

A discussão do que é mais antigo, legítimo ou brasileiro, quando sai do bairrismo nacionalista para uma pesquisa em campo aberto, encontra mais perguntas que respostas.

Vale lembrar que o nacionalismo também é um mito, que a arara e o tatu não fazem a menor ideia do que é Brasil, bem como os tupinambás não sabiam e nem o marinheiro português que trocou com um indígena seu capuz vermelho por um cocar.

Saci é também um dos nomes do passarinho da família dos cucos conhecido como Sem Fim pro causa de seu canto triste e repetitivo, além de martim-pererê, martimpererê, matinta-pereira, matintaperera, matitaperê, peixe-frito, peito-ferido, peitica, piriguá, roceiro-planta, seco-fico, sem-fim, sede-sede, tempo-quente, crispim, fenfém, saitica e piririguá. E aí podemos ver como "pererê" transita com facilidade entre pereiras e piriguás.

O Saci é fumante, e acho que não respeitaria as leis que criaram os fumódromos.

As mãos furadas, usadas pelo Saci para brincar com a brasa do cachimbo, podem ter sido inspiradas nas chagas de Cristo, os “estigmas”, que dizem ter sido recebidas por vários santos, a começar por São Francisco de Assis. Apropriação por paródia ou inversão como se dá em várias feitiçarias. É difícil pensar em outra referência mais famosa, numa terra tão exposta às imagens cristãs.

O Saci é um demoninho, e participa das simpatias populares de "amarrar o capeta" com uma cordinha até que o desejo seja realizado. 

Nada na cultura é sem história, sem origem bastarda ou inconveniente, e imutável. O estranho na verdade é a permanência; como certas entidades adquirem forma estável. E a gente briga por elas, como se fossem perder sua pureza original no contato com o que vem de fora. Mas o que é estritamente fora ou dentro na cultura?"

Saci e Cuca se divertem, com Muiraquitãs ao fundo, por Luiz Pagano - Arte tupi-Pop. Desejamos ao povo brasileiro e todos os outros que amam nossa cultura, Tonhemooryb ase kó saci perere 'ara pupe* "um fleiz dia do Saci-Pererê" em Tupi Antigo, nossa língua original.

Aqui vemos o Saci e sua amiga, a cuca, se divertindo a custas das trapalhados dos humanos. Acredita-se que a Lenda da Cuca tenha origem no folclore galego-português baseada na criatura "Coca", que significa "crânio, cabeça". A "Coca" é um fantasma ou um dragão comedor de crianças desobedientes que fica à espreita nos telhados das casas, e as rapta depois de fazerem alguma malcriação.

Tendo a mistura do Portugês, Indígena e do povo Africano o Saci é o puro embaixador do Brasil que se forma da união dos povos que o completam.

Dessa forma, desejamos ao povo brasileiro e todos os outros que amam nossa cultura, Tonhemooryb ase kó saci perere 'ara pupe* "um fleiz dia do Saci-Pererê" em Tupi Antigo, nossa língua original.

*Que a gente se alegre neste dia do Saci Pererê - em Tupi Antigo

CÂMARA CASCUDO, Luís da. Geografia dos mitos brasileiros. São Paulo: Global, 2012, p. 119.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Avaliação dos Monumentos Portugueses da cidade de São Paulo




Recentemente o Presidente do Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Estado de São Paulo, o Dr. Manoel Magno Alves, foi avisado pela diretoria do Parque do Ibirapuera que a placa do Monumento a Pedro Álvares Cabral (numero 3 deste relatório) estava caindo. O Dr. Manoel teve a iniciativa, não só de consertar a placa, como também fazer a manutenção de jardinagem, inclusive a pintura dos mastros, colocando bandeiras do Brasil e Portugal. 

Uma vez constatado que o desgaste do tempo, aliado à recente crise de saúde que aumentou enormemente o número de moradores de rua, convivendo lado a lado com obras da cidade, gerando lixo e por vezes depredando, aumentando a já grande vulnerabilidade desses monumentos, Ricardo Magalhães que desde 2008 planejara criar o Instituto de Patrimônio de Influência Portuguesa, que na época ingressou como membro adjunto do patrimônio histórico, decidiu tomar a frente e fazer um levantamento dos principais monumentos na cidade de São Paulo e seu grau de deterioração  e vulnerabilidade. 

O presente relatório de avaliação preliminar, tem o propósito de levantar o estado de conservação desses monumentos e estátuas, bem como outras obras urbanas de contexto geral da amizade Brasil-Portugal em São Paulo, para em passos futuros, criar um programa de conservação e valorização dos mesmos. 

A visita aconteceu depois planejamento preliminar, no dia 01 de agosto de 2020, entre as 05:30~11:30 horas da manhã e fez parte do corpo técnico de profissionais Ricardo Jacob Magalhães - líder do projeto, Rodrigo Jacob - fotografo e Luiz Pagano - responsável pela arte e diagramação.

1- Monumento aos Fundadores de São Paulo

Endereço: Praça Armando de Sales Oliveira - Vila Mariana, São Paulo - SP, 04001-070


De autoria do artista plástico Luiz Morrone, presta homenagem a personagens considerados fundamentais no processo de fundação da cidade de São Paulo, protagonizada por jesuítas e membros do governo português. Foi encomendada a ele por representantes da colônia portuguesa, que, organizados numa comissão, decidiram pela criação do monumento. Foi construído entre 1952 e 1962, sendo lançada em 18 de outubro a pedra fundamental por ocasião do aniversário da morte do padre Manoel da Nóbrega. Foi inaugurado em 25 de janeiro de 1963, data de aniversário da cidade de São Paulo. O conjunto escultórico é composto por oito figuras de bronze sobre um pedestal de granito rosa de 1,05m x 5,30m x 7,40m, com dimensão total de 4,20m x 1,70m x 3,70m.

Neste levantamento encontraremos muitos trabalhos de Luiz Morrone (São Paulo, 1906 — São Paulo, 1998) um dos mais prolíficos escultores brasileiros. Criou centenas de estátuas, bustos e hermas, sendo também de sua autoria o brasão de armas do estado de São Paulo. Seu grande mestre foi o escultor Ettore Ximenes. Seu filho, Laerte Morrone, foi um importante ator de teatro e televisão.

As figuras representam os jesuítas Manuel da Nóbrega, “o primeiro apóstolo do Brasil”, José de Anchieta, sucessor de Nóbrega e grande missionário, e o padre Manoel de Paiva, que rezou a primeira missa no colégio jesuíta do Planalto de Piratininga, onde agora é a cidade de São Paulo.

Os representantes do governo português esculpidos são o comandante da primeira expedição colonizadora ao Brasil em 1531 e fundador da primeira cidade brasileira, São Vicente, Governador Martim Afonso de Souza e João Ramalho, que vivia entre os índios e conduziu Martim Afonso em segurança do litoral às terras de Piratininga.



Sugerindo a convivência pacífica dos colonizadores com os indígenas estão, ao lado de João Ramalho, a esposa Bartira e seu pai, o cacique tupiniquim Tibiriçá, grande aliado dos portugueses e líder dos nativos na região. João Ramalho e Bartira deram início à miscigenação na cidade, mostrado pela pequena criança no colo de Bartira. No lado oposto a estes indígenas e sugerindo a mesma união entre colonizadores e colonizados está a escultura curumim, que em tupi-guarani significa criança, como que amparado pelo padre Anchieta.

Uma grande cruz (em 2016, no momento da foto, apenas com a haste vertical) simboliza o catolicismo.

Detalhe que a criança menor, no colo de Bartira, não é habitualmente contabilizada na descrição do monumento, sendo que na verdade há nove pessoas retratadas no monumento. Nas inscrições de identificação no próprio monumento este bebê também não é identificado. Por quê?

Há ainda duas placas de bronze em baixo relevo com a representação da primeira missa em São Paulo e da fundação de São Vicente, a primeira cidade brasileira, fundada por Martim Afonso. Na verdade, no momento desta postagem há apenas a representação da fundação de São Vicente e uma placa informada sobre o furto da outra placa.

Placa de bronze (2,40m X 1,50m) com representação da primeira missa de São Paulo e assinatura no canto direito interior. Após o furto em 2004 foi substituída por placa informativa (ver foto).
Diz o texto:
Este espaço foi ocupado, originalmente, por uma placa de bronze com uma representação da primeira missa em São Paulo. A placa foi furtada em 2004 e, devido à insuficiência de registros, não foi possível reproduzi-la
Placa de bronze (2,40m X 1,50m), inscrição na parte superior: FUNDAÇÃO DE SÃO VICENTE. Assinatura no canto inferior direito: L. MORRONE 1962
Inscrições:

Face frontal do pedestal: PADRE MANOEL DA NÓBREGA FUNDADOR DE SÃO PAULO BANDEIRANTE DE DEUS NO BRASIL
Face lateral esquerda do pedestal: TIBIRIÇA – BARTIRA – JOÃO RAMALHO
Face posterior do pedestal: GOVERNADOR MARTIM AFONSO DE SOUZA MONUMENTO À FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO MOVIMENTO E CAMPANHA PADRE MANOEL DE NÓBREGA 1952 – 1963
Face lateral direita do pedestal: PADRE JOSÉ DE ANCHIETA CURUMIM PADRE MANUEL DE PAIVA Assinatura – L. MORRONE
Este é um dos monumentos nômades da cidade de São Paulo, pois não se encontra atualmente no mesmo local em que foi instalado em sua inauguração.

Sua primeira localização foi na Praça Clóvis Bevilacqua, nas proximidades da Praça da Sé, onde permaneceu até o início da década de 1970. Na época do projeto a ampla praça ainda contava com belos jardins, que aos poucos foram emprestando espaço para a passagem de ônibus e bondes e, também para o monumento, cuja localização, era condizente com a região onde foi fundada a cidade de São Paulo. As obras do Metropolitano de São Paulo na Praça da Sé – Estação Sé do Metrô – provocaram grandes remodelações tanto na Praça da Sé quanto Praça Clóvis Bevilacqua e em todo o entorno, o que incluiu a remoção do monumento. O Monumento aos Fundadores de São Paulo foi transferido então da região central para o endereço onde se encontra no momento, Rua Manoel da Nóbrega sem número, no bairro de Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

É um monumento oculto dos olhos da população, pois sua localização, literalmente no meio do nada e cercado por vagas para estacionamento de automóveis em todo o entorno, não atrai os olhares. O endereço referido à Rua Manoel da Nóbrega, bem poderia ser informado como Rua Nábia Abdala Chohfi, pois são as ruas das laterais do monumento. Na Rua Nábia está uma parte lateral do prédio da Assembléia Legislativa. A parte mais estreita poderia ter sua frente onde está inscrito o nome da obra, localizado de frente para uma micro-praça chamada Gen. Estilac Leal ou ter sua frente usando a cruz, a parte mais alta da obra e o Padre Manoel da Nóbrega como referência, e então o monumento estaria apontando para o Parque do Ibirapuera, sendo esta a parte que é considerada frontal na obra. Então o melhor endereço seria Avenida Pedro Álvares Cabral.

Fundamental observar que o monumento está oculto principalmente devido à abundante vegetação que cresceu ao seu redor e que impede que seja visto mesmo a partir da própria calçada onde se encontra, conforme fig.01, as copas das árvores foram removidas digitalmente para que possamos ver o monumento.

Normalmente confundido com o monumento Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo, de Amedeu Zani, localizado no Páteo do Colégio, como identificação parecida e de grande visibilidade e popularidade.

Um majestoso monumento público localizado em local nobre está encoberto por árvores e arbustos e pela memória paulistana.

Situação atual

- As pedras do caminho que levam ao monumento estão parcialmente quebradas e deslocadas, conforme fig.02;
- Moradores de rua deixam seus pertences e lixo nos arredores e no próprio monumento conforme fig. 03;
- A placa de Bronze do lado esquerdo do monumento foi roubada e no lugar foi colocado uma placa de acrílico com os seguintes dizeres “ESTE ESPAÇO FOI OCUPADO ORIGINALMENTE,  POR UMA PLACA DE BRONZE COM UMA REPRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA MISSA EM SÃO PAULO, A PLACA FOI FURTADA EM 2004 E DEVIDO A INSUFICIÊNCIA DE REGISTROS, NÃO FOI POSSÍVEL REPRODUZI-LA”, conforme fig. 04;
- Jardinagem está ok;
- Existe um desnível de cerca de 10 cm nas pedras que formam a base do monumento, conforme fig. 05;
- Um holofote que existia na frente do monumento foi danificado, conforme fig. 06
- Buraco na Calçada;
- Mato crescendo no monumento;

2- Monumento ás Bandeiras

Endereço: Praça Armando de Sales Oliveira - Vila Mariana, São Paulo - SP, 04001-070

Monumento às Bandeiras com 32 figuras, 
e não 37 como relatado em muitos outras referencias (inclusive a Wikipedia e o Site da Prefeitura de São Paulo

Certa vez perguntei a um amigo de infância quantas eram as figuras que empurravam e puxavam a canoa de monções no Monumentos às Bandeiras de Victor Brecheret, monumento bastante conhecido dos paulistanos em frente ao Parque do Ibirapuera. Ele então pesquisou na enciclopédia de sua mãe (na época não existia o Google) e a resposta foi 37 figuras.

Achei muito estranho pois tenho uma boa noção de conjuntos e o numero me pareceu um pouco alto. Para tirar a duvida fomos até o local e contamos um a um.

Para minha surpresa a enciclopédia estava errada (assim como diversos artigos que vejo na internet, inclusive no artigo da Wikipédia) e eu estava certo. Eram 30 entre homens mulheres e crianças e mais dois cavalos, totalizando 32 figuras.
Monumento às Bandeiras - Rosto da Figura de número 25

Nos perguntamos: -“como a enciclopédia podia estar errada num assunto tão importante para o paulistano?”.

A resposta pode estar no Memorial Descritivo do projeto para o Monumento às Bandeiras publicado no Jornal Correio Paulistano no dia 28 de julho de 1920.

Monumento às Bandeiras - No primeiro bloco vem os cavaleiros, no segundo as etnias brasileiras 

“O grupo monumental que é a coluna dorsal do monumento, foi movido de maneira a sugerir uma ‘entrada’. A grande massa processional , guiada pelos ‘Gênios’ – os Paes Lemes, os Antonio Pires, os Borba Gatos – avança para o sertão desconhecido. Os Guiadores, a cavalo – símbolo da força e do comando -, são seres titânicos, dignas expressões viris dos sertanistas de São Paulo.

Monumento às Bandeiras - Nesta seqüência um homem da de beber ao índio e uma mulher carrega um bebe no colo

No centro, uma Vitória espalma as asas que cobrem piedosamente os ‘Sacrificados’, isto é, aqueles sertanistas que tombaram nas ciladas da selva. (..) Saindo da terra pisada pelos bandeirantes, serpeiam em grupos laterais as ‘Insidias’. São de um lado, as ‘Insidias da Ilusão’, mulheres enigmáticas e serpentes, belas como tudo que promete a mente, a simbolizar as Esmeraldas de Paes leme, as Minas de Prata de Roberto Dias, o mundo lendário das Amazonas de Orellana. (...) Do outro lado, as ‘Insidias do Sertão’ exprimem as Lesirias e as Febres, as Emboscadas e as Feras, a Fome e a Morte. Na parte posterior, a Ânfora que conterá a água do Rio Tietê, sagrado pela gloria das ‘monçoes’. Sugeriu-nos essa idéia a conferencia do Sr. Affonso de Taunay”.

A figura de numero 13 é o unico que puxa a embarcação - Uma lenda popular diz que o monumento do 'Deixa que eu empurro' ou 'empurra-empurra' nunca sai do lugar posto que as cordas estão frouxas, logo ninguém está fazendo força.
Reparem que neste memorial escrito pelo próprio escultor ele menciona ‘Vitorias Aladas’, e também acho que alguém deveria carregar a ânfora, estas não estão presentes no nosso atual monumento.
As figuras escondidas de numero 29 e 30 ( a de numero 29 é o auto-retrato de Victor Brecheret)

Considerada a maior escultura equestre do mundo com seus 50 m de comprimento, 16 m de largura e 10 m de altura, teve seu projeto inicial em 1920, encomendada para a celebração do bicentenário da independência, em 1922. 

A grande massa processional , guiada pelos ‘Gênios’ – os Paes Lemes,
os Antonio Pires, os Borba Gatos – avança para o sertão desconhecido.

O então Presidente do Estado, cargo que equivale hoje ao de governador, manifestou o desejo de realizar um monumento aos bandeirantes. A comissão encarregada de executar o monumento, a ser custeado pela administração pública, foi composta por Monteiro Lobato, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, que escolheram o projeto de Brecheret.

Ainda em julho de 1920, o projeto foi apresentado publicamente na Casa Byington, e agradou muito a Washington Luís. 

A colônia portuguesa, nesse meio tempo, queria oferecer um monumento à cidade, também com o tema de bandeirantes, eles apresentaram uma proposta do escultor português Teixeira Lopes.

Menotti Del Picchia detestou a idéia de ter essa obra feita por estrangeiros “...o monumento brasileiro deve ser integralmente brasileiro”, repudiava a idéia de “a alma e a técnica estranhas se fixarem no bronze que imortalizaria as glórias de nossa raça”. Em função do conflito o Presidente do Estado decidiu adiar o projeto e a maquete de Brecheret foi parar na Pinacoteca do Estado.

Maquete original do Monumento às Bandeiras de Brecheret com 37 figuras (1920), inclusive as 'Vitorias aladas' - Muita alteração foi feita até sua inauguração em 1953 com apenas 32 figuras.

A retomada da escultura só ocorreu próximo às comemorações do IV Centenário da Cidade. Primeiramente, Brecheret fez a obra na escala de 1x1 m, aumentando-a depois para o tamanho atual. Foi feita uma primeira escultura em gesso em tamanho natural, a partir da qual todas as figuras foram novamente esculpidas, desta vez em pedra Mauá – as pedras eram trazidas da cidade paulista de mesmo nome – por artesãos denominados “canteiros”, que copiavam fielmente o modelo em gesso feito por Brecheret.

O monumento foi feito em três partes: os batedores a cavalo à frente do grupo, o grupo humano ao centro e a barca ao final.

O projeto inicial teve diversas alterações e em1949, Brecheret resolveu alterar a base do monumento. Em vez de escadarias, optou por uma base mais simples, com as laterais em plano inclinado, quase vertical. Em 1951, a Oficina Incerpi começou a montar os blocos de granito, já esculpidos, no Ibirapuera, como num grande quebra-cabeças, sendo que o efeito final deveria dar a impressão de um único bloco de rocha, como previa Brecheret. O concreto foi usado no enchimento da canoa, para dar mais rigidez ao conjunto.

o ‘Sacrificado’ figura de numero 23,  é o sertanista que tombou nas ciladas da selva.
O único personagem histórico identificado é o próprio Victor Brecheret. A quarta figura à direita do monumento, no bloco imediatamente seguinte ao dos cavaleiros, traz a seguinte inscrição no seu ombro direito: “Auto-retrato do escultor Victor Brecheret 02-10-1937”.

Previsto para ser inaugurado em 25 de janeiro de 1954, foi entregue um ano antes. Brecheret estava doente e pediu ao governador Lucas Nogueira Garcez, apressasse a entrega para o dia 25 de janeiro de 1953.

Temendo que as outras 7 figuras estivessem escondidas, procuramos muito e só achamos um escondido (numero 22) rapaz que carrega o desmaiado.    

Símbolo da cidade de São Paulo, a obra-prima de Brecheret é praticamente uma síntese de sua trajetória artística. Demorou 33 anos para ser construída e revelou influência de seus estudos anatômicos, que valorizam o corpo humano, no estilo art decó combinado com o luxo do estilo marajoara-indígena.

As “bandeiras”, tiveram grande importância para a colonização do Estado de São Paulo e do interior do Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII. 

Cada uma das figuras tem cerca de 5 m de altura e retrata mistura étnica brasileira, com a presença de bandeirantes brancos, índios e negros escravos, e mamelucos.

Se o numero 13 é o único que puxa, o numero 28 é o único que empurra.

Os cavaleiros da escultura estão direcionados para o Pico do Jaraguá, rumo ao interior do Estado dos bandeirantes, sempre à procura de pedras preciosas, mais precisamente esmeraldas. Abaixo deles, na base de pedra da obra há um mapa, em que são mostrados os caminhos dos bandeirantes por todo o Brasil. Ele foi elaborado pelo historiador Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958), autor de História geral das bandeiras paulistas (1924/50), grandioso levantamento de fatos que auxiliam na compreensão da história do Estado de São Paulo. 

Nas laterais do monumento, há inscrições enaltecendo a obra. O poeta, ensaísta e crítico literário Guilherme de Almeida (1890-1969), chamado de “príncipe dos poetas brasileiros”, declarou: “Brandiram achas e empurraram quilhas, vergando a vertical de Tordesilhas”.

Armas antigas semelhantes a um machão (“achas”) é vista na mão de uma das figuras. Empurraram quilhas de embarcações para alcançar pontos cada vez mais longínquos, ultrapassando a barreira imposta pelo Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha em 1494, que delimitava a posse das terras na América após a primeira viagem de Colombo.

Foi adicionado concreto para unir as estatuas feitas de pedra 'Maua'

Os bandeirantes, se embrenharam pela mata e chegaram a locais antes não pisados pelo homem branco, fundando cidades e ampliando as fronteiras brasileiras.

Posteriores negociações entre os rei luso D. João III e os monarcas espanhóis Fernando e Isabel deslocaram a linha inicial e asseguraram a expansão do Brasil para alem da demarcação. 

A outra inscrição na lateral do monumento (“Glória aos heróis que trocaram o nosso destino na geografia do mundo livre./ Sem eles, o Brasil não seria grande como é”) é do historiador, ensaísta e poeta brasileiro Cassiano Ricardo (1895-1974). Modernista, filiado ao Movimento Verde-Amarelo, que, por volta de 1926, defendia um nacionalismo fechado às influências das vanguardas européias.

A frase exalta o papel dos bandeirantes na história do Estado e demonstra bem o espírito conservador do grupo, que contava com a participação de Menotti del Picchia, Cândido Mota Filho e Plínio Salgado, defendendo um ideário político de extrema direita, dando origem ao Grupo Anta e, posteriormente, no integralismo, vertente do nazifascismo no Brasil.
Sessenta e três anos após sua inauguração, o Monumento às Bandeiras está em ótimas condições apesar do desgaste natural comum de uma obra ao ar livre. Além das intempéries da natureza, a obra já passou por diferentes intervenções da população, principalmente através de pichações, o que de alguma forma prejudicou sua integridade. De qualquer forma, devido a seu material, a limpeza e manutenção da obra é feita sem grandes dificuldades, apesar das naturais despesas de recursos financeiros e de mão de obra, nessas específicas ocasiões.

Ao longo desses anos, a obra foi tomando outras formas no imaginário da população paulista. O vigor dos bandeirantes como colonizadores, é interpretado como estando refletido na força produtiva do Estado de São Paulo no cenário nacional.

A obra possui cerca de 11 metros de altura total por 8,40 metros de largura e 43,80 metros de profundidade, estando posicionada no eixo sudeste - noroeste, no sentido de entrada das bandeiras sertanistas em busca de terras no interior. Na face frontal do pedestal, um mapa do Brasil apresenta os percursos que os bandeirantes executaram pelo interior do país, desenhado por Affonso de E. Taunay.



Situação atual

- Alguns focos de urina na base do monumento, próximo à barca conforme fig. 01;
- Um dos holofotes voltados para o monumento está queimado, conforme fig. 02, em bom funcionamento.
- Mosaico português nas calçadas tem focos de perda de pedras, bem como remendos malfeitos conforme fig.03;
- Acumulo de mato e lixo na parte superior do barco e mato nacendo no monumento, conforme fig. 04;
- Desníveis nas pavimentações de pedra que rodeiam o monumento conforme fig. 05;
- O beiral dos caminhos estão quebrados, onde ciclistas passam de forma indiscriminada e existem trechos onde o pisoteio é tão intenso que a grama se acabou por completo, conforme fig. 06

3- Monumento a Pedro Álvares Cabral

Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, 5300 - Vila Mariana, São Paulo - SP, 04094-050


O monumento existe desde 10 de junho de 1988, dia de Camões, e foi inaugurado para marcar o início das comemorações no Brasil dos 500 anos da expansão marítima portuguesa.

A obra é um monumento grande composto pela figura de Pedro Álvares Cabral e elementos em concreto que simulam caravelas e ondas. A escultura em bronze que representa o navegador mede 5,5m de altura, e seu pedestal em mármore mede 2 m x 1,80 m x 1,84 m. Fixada no pedestal, à direita do navegador, há uma placa que traz gravada uma frase de Tancredo Neves: “A Portugal, devemos tudo: nosso sangue, a nossa história, a origem das nossas instituições livres, o espaço amplo que habitamos.”

Outra placa preta, desta vez pequena e na base anterior do pedestal tem a inscrição: “Pedro Álvares Cabral. Luiz Morrone. Agostinho Vidal da Rocha”.

Há ainda uma terceira placa, do lado esquerdo do navegador com os dizeres: “À cidade de São Paulo, homenagem do Conselho da Comunidade Portuguesa, sendo seu presidente o comendador Valentim dos Santos Diniz”.

O monumento teve o projeto arquitetônico de Agostinho Vidal da Rocha e foi realizada pelo escultor Luiz Morrone.

Situação atual

- Este monumento está sem nenhuma iluminação, e tem dois postes sem utilidade no local, segundo Ricardo, existe um compromisso da EBP para fazer essa iluminação;
- Lixo jogado em toda parte, um jornal inteiro a frente do monumento, em todo o gramando e sobre o acercamento de euforbias, conforme fig 01;
- Uma tampa de concreto foi vandalizada próxima ao jardim, conforme fig. 03

4- Monumento ao 25 de Abril

Endereço: Largo Mestre de Aviz Jardim Luzitania, São Paulo - SP, 04031-070  


Monumento foi doado à cidade de São Paulo, pela Junta Metropolitana de Lisboa para celebrar a revolução de 25 de Abril, também conhecida como Portas de Abril, Revolução dos Cravos ou Revolução de Abril do escultor José Aurélio e da arquiteta Miriam Esobar. Um evento da história de Portugal resultante do movimento político e social, ocorrido a 25 de abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de abril de 1976, marcada por forte orientação socialista.

Esta ação foi liderada por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas, (MFA), composto na sua maior parte por capitães que tinham participado na Guerra Colonial e que tiveram o apoio de oficiais milicianos.
Este movimento surgiu por volta de 1973, baseando-se inicialmente em reivindicações corporativistas como a luta pelo prestígio das forças armadas, acabando por atingir o regime político em vigor.




Com reduzido poderio militar e com uma adesão em massa da população ao movimento, a reação do regime foi praticamente inexistente e infrutífera, registrando-se apenas quatro civis mortos e quarenta e cinco feridos em Lisboa, atingidos pelas balas da DGS.

O movimento confiou a direção do País à Junta de Salvação Nacional, que assumiu os poderes dos órgãos do Estado.

A 15 de maio de 1974, o General António de Spínola foi nomeado Presidente da República.

O cargo de primeiro-ministro seria atribuído a Adelino da Palma Carlos.
Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC, (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares que terminaram com o 25 de Novembro de 1975.
Estabilizada a conjuntura política, prosseguiram os trabalhos da Assembléia Constituinte para a nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.

Na sequência destes eventos foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de abril, denominado como Dia da Liberdade.

Situação atual

- Os 2 holofotes que ficam embaixo da obra foram vandalizados, conforme fig. 01;
- Os holofotes ao redor precisam de manutenção;
- O ponto de ônibus e a lixeira foram pixados conforme figs. 02 e 03;
- A própria obra foi pixada e mal limpada, conforme fig. 04;
- Os suportes da obra estão corroídos e em péssimo estado de conservação. 

5- Estatua de Fernando Pessoa e Infante Dom Henrique

Endereço: Praça Professor Rossini Tavares de Lima, Av. Sagres, 49 - Jardim Lusitânia, São Paulo - SP, 04031-080

Ambas obras de Luiz Morrone

- A estatua de Fernando Pessoa ( nascido Fernando António Nogueira Pessoa  em Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), fica sob um pedestal e tem uma abertura posterior onde aparecem nomes de alguns heterônimos “Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares”.

Enquanto poeta, Fernando Pessoa escreveu sob diversas personalidades, seus heterônimos, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros”.

Além de poeta era filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman renascido", e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa.

Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa e apenas uma em língua portuguesa, intitulada Mensagem. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para o inglês.

Situação atual

- Uma arvore supostamente morta exatamente ao lado do monumento, periga danificar a obra, conforme fig.01;
- Uma instalação exemplar no que se refere a manutenção e idéias é o bicicletário do Itaú no inicio da praça, conforme fig. 02;
- o suporte da obra está muito danificado e o revestimento de pedra se desprendeu por completo, conforme fig. 03;

- A estatua de Infante Dom Henrique, também conhecido como Henrique de Avis (1394-1460), o Duque de Viseu, na forma de uma estátua feita em bronze, sobre um pedestal de granito. A peça completa chega a 3,5m de altura.

Na parte frontal, em uma placa de bronze, está a inscrição “Infante Dom Henrique - Navegador, Fundador da Escola de Sagres / O único imperador que tem, deveras, o globo mundo em sua mão”, frase atribuída a Fernando Pessoa.

Também há uma outra placa, com a inscrição “Com. Abílio Brenha da Fontoura - Doador / Luiz Morrone – Escultor”.

Dom Henrique foi um infante português e a mais importante figura do início da Era das Descobertas, também conhecido como Infante de Sagres ou Navegador.

Situação atual

- O suporte da estatua está com grandes dilatações entre as pedras e está minando água da base, conforme fig. 04
- As pedras do Passeio estão levantadas pelas raízes e podem causar acidentes aos transeuntes, conforme fig. 05; 
- Vale ressaltar a presença de lixo e precária jardinagem, arvores sem poda e muitos trechos sem grama.

6- Praça Portugal

Endereço: Praça Portugal – Pinheiros São Paulo - SP, 05401-000


A estatua de Antonieta Rudge é um busto localizado na Praça Portugal, em Pinheiros, em São Paulo. Foi criado por Luis Morrone e inaugurado em 1977. Encontra-se em frente ao local onde a pianista Antonieta Rudge, a homenageada, morava. A obra foi furtada em 1982 e refeita por Ettore Ximenes. Faz parte de uma das oito esculturas em São Paulo sobre mulheres.

A iniciativa do busto partiu Menotti del Picchia, sendo construído a partir de uma máscara de Rudge.

Situação atual

- O A estatua de Antonieta Rudge, a base do poste e o nome da praça estão em bom estado de conservação, conforme figs. 01, 02 e 03;
- Existem manchas de tinta na calçada, não dá para saber se foi decorrente das obras na praça, ou depredação de pixadores, conforme fig. 04;
- Tem muito lixo nos jardins, mesmo próximo a lixeiras e placas pedindo para não jogarem lixo, demonstrando baixíssima civilidade dos transeuntes, conforme figs. 05 e 06;

7- Monumento a Borba Gato

Endereço: Praca Augusto Tortorelo De Araujo, 2590 - Santo Amaro, São Paulo - SP, 04709-150

Avaliação feita aterirormente ao incendio criminoso de 24 de Julho de 2021

 Estátua do Borba Gato é um monumento em homenagem ao bandeirante Borba Gato. A obra é composta por argamassa, trilhos e pedras, revestida de pedras coloridas de basalto e mármore.


O Monumento de Borba Gato foi projetado e começou a ser construído em 1957, no próprio quintal de Júlio Guerra, que situava-se na Avenida João Dias. A estátua foi planejada para ser inaugurada em 1960, data em que Santo Amaro celebraria seu IV Centenário. Porém, em 1958, a morte de um de seus filhos, Jairo, afogado, iria fazer com que a obra atrasasse um pouco.

A obra conta com 10 metros de altura (13 metros contando seu pedestal) e pesa 20 toneladas. Em seu interior há um trilho de bonde, para sustentar sua estrutura. Após preparar os moldes em gesso, Júlio Guerra começou a estruturar seu gigante com argamassa, trilhos e pedras, revestindo de pedras coloridas de basalto e mármore vindas de diversos cantos do país, os mármores do rosto especificamente, vieram de Portugal. O escultor, que não optou pelo bronze, material comumente para estátuas e monumentos, precisou arrumar uma solução criativa para a estrutura de sua obra. Como o Borba Gato é grande e os trilhos de bonde eram recorrentes na região, já que o modal começava a ser deixado de lado, Guerra decidiu que aquele material seria o ideal para sustentar sua obra.

Atrás da estátua, a cerca de 25 metros de distância, uma estrutura em forma de cubo é recoberta por quatro painéis em mosaico de pastilhas, com cenas evocativas de personalidades e fatos ligados à história de Santo Amaro: Anchieta e Caiubi, tendo ao centro o brasão de Santo Amaro e o rio Jurubatuba; João Paes e Suzana Rodrigues doando à nova capela a imagem de Santo Amaro, que emprestou o nome àquela região; os primeiros colonos alemães e a primeira fábrica de ferro da América do Sul; o poeta Paulo Eiró e o Padre Belchior de Pontes.

A inauguração do gigante de pedra e concreto integrou os festejos do IV Centenário de Santo Amaro. Além de discursos, Borba Gato foi saudado por um desfile com os tradicionais Romeiros de Pirapora, populares vestidos de bandeirantes, índios e damas antigas, carros de boi e uma canoa como as usadas pelos bandeirantes. Um show com artistas do rádio e da TV encerrou a festa.
Querido por uns, considerado de mau gosto por outros, o velho Borba Gato, alheio às críticas, tornou-se um reconhecido cartão-postal da cidade, imediatamente associado ao bairro de Santo Amaro.

Alvo de recentes protestos por parte de iconoclastas, bastante infundados, posto que Borba Gato nunca escravizou negros nem índios (segunda fase do bandeirantismo se caracterizou pela descoberta de pedras preciosas nas regiões das Minas Gerais).

Situação atual

- O cubo de mosaicos está com varias rachaduras, os mosaicos estão desgastados e com falta de peças, bem como  tem vegetação nascendo nas rachaduras do monumento, conforme figs. 01 e 02;
- Existe uma base para placa de identificação na frente do monumento, mas a placa não está mais lá, conforme fig. 03;
- A estatua tem várias rachaduras, vegetação crescendo e uma grande infiltração na perna esquerda, conforme fig. 04;
- Percebe-se que muito dos lixos deixados no local, foi largado por trabalhadores da prefeitura e ou de serviços públicos, conforme figs. 05 e 07;
- Um poste foi retirado, no entanto a base continua no local, podendo causar acidentes aos transeuntes, conforme fig. 06.


terça-feira, 10 de agosto de 2021

Cauim Feito Em Casa DOBUROKU




Você que assistiu à série de vídeos no Youtube  'Preparo do Cauim Feito em Casa - DOBUROKU', e suas sequencias Parte 2,  e quer saber mais detalhes sobre o processo, esse post traz algumas informações adicionais, tais como medidas e nomes em Tupi dos processos.

Trata-se de um trabalho de resgate cultural brasileiro, realizado por Luiz Pagano com base em pesquisas e experimentos realizados em aldeias brasileiras e fabricas de Sake no Japão. O termo 'Doburoku' refere-se ao processo simplificado de produzir sake em casa com simples utensílios de cozinha. No entanto, esse tipo de saquê foi proibido no Japão na era Meiji (1868 e 1912), até os dias de hoje.

Depois de mais de 500 anos, o Cauim, fermentação alcoólica da mandioca, a bebida mais antiga do Brasil, foi feito de novo em solos próximos à aldeia de Inhapuambuçu, do Morubixaba Tibiriçá, (+ou- onde hoje é o Pátio do Colégio e Mosteiro São Bento) com processos de produção descritos na ancestral língua  brasileira, o Tupi Antigo.

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"A preparação de Cauym é um trabalho estritamente feminino, sem envolvimento dos homens. Pedaços finos de mandioca são fervidos até ficarem bem cozidos e se deixa esfriar. Então as mulheres e meninas se reúnem ao redor da panela, levam uma porção até a boca, mastigam bem, ensalivam e botam a porção em um segundo pote… nem o alemão, nem o flamengo, nem os soldados, nem o suíço; quer dizer, nenhum desses povos da França, que se dedicam tanto ao beber, vencerá os americanos nesta arte “ - Histoire d’un voyage faict en la terre du Brésil de Jean de Léry

Depois de muito tempo, conseguimos, descobrimos que antes de conseguir a fermentação da mandioca, temos que transformar todo seu amido em açucares, essa dificuldade parecia ser uma equação difícil nas mãos de quem tentava fazer a bebida.

Nas aldeias indígenas eles resolveram o problema usando amilase salivar - isso mesmo!!  eles mastigam e cospem a mandioca num processo denominado 'Produção Ancestral'.

Os Japoneses também usavam a amilase salivar para fazer o sake, é sabido que nossos nativos são, em grande parte, povos vindos da Ásia que cruzaram o estreito de Bering, quem sabe essa cultura veio junto?!

De qualquer forma, no ano de 689 dC, período Yamato do Japão feudal, o castelo imperial de Nara adotou novas medidas para produção do sake, não se podia mais mastigar o arroz, pois um fungo, o Aspergillus orizae chamado de Koji, resolvia o problema da sacarificação do amido, e com isso, a bebida passou a ser preparada dessa forma para ser consumida por monges e guerreiros.

AVISOS IMPORTANTES
1º                      


2º 
 
Respeito aos nossos ancestrais

O Cauim é o nome genérico dado à bebida fermentada de mandioca, que não deve ser confundido de forma nenhuma com a cauinágem, ritual ancestral da cultura material brasileira, pré colombiana, celebrado ainda hoje em varias aldeias, cuja dinâmica varia de etnia para etnia e merecem todo nosso amor, admiração e respeito.  Jamais devemos reduzir esse ritual de tamanha importância e relevância a uma mera bebida de uso recreacional.


Respeito à bebida

Ainda considerando o 1º ponto acima, dentro do meu propósito de resgate cultural da aldeia do Inhapuambuçu da vila de São Paulo de Piratininga, do Tupi Antigo e do Cauim, sugiro fortemente que leve em conta todo o aspecto religioso e cultural envolvido no preparo da bebida, usando nomes em Tupi Antigo para os processos e tendo o devido respeito pelas evocações da deusa Mani, tal como sugerido por diversos indígenas de diversas etnias, que me auxiliaram no desenvolvimento da bebida e desse DOBUROKU (processo resumido).

Isso posto, vamos ao Cauim.

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Depois de muitos estudos e experimentos, adaptei esse método japonês,  tendo como resultado uma bebida festiva genuinamente brasileira, que celebra a união e harmonia de todo o povo brasileiro. 

Compartilho aqui esses conhecimentos em uma produção simplificada e caseira, conhecida no Japão como DOBUROKU, estimulando outros diletantes e profissionais do mercado de bebidas a desenvolverem seus próprios estilos, a fazerem suas próprias receitas, e com isso, em união que consigamos fazer que o Cauim seja reconhecido na lei (Dec. 6871 de 2009).

O desenvolvimento do Cauim, me levou a conhecer, de forma científica e  espiritual diversos rincões secretos do Brasil e do mundo. Numa dessas jornadas cheguei a membros do Espiritismo Brasileiro, que em transe me passaram a seguinte mensagem "Que o Nobre Néctar Tupi, o Cauim, a bebida que nos foi legada pelos antigos ancestrais do Brasil, aquela que somente pode ser sorvida pelos valorosos, chegue com o nobre propósito de unir sobre o adjetivo 'Brasileiros' o povo que ama, nasce e vive essa terra. Pedimos ainda ao plano espiritual que o Brasil,  possuidor do título de Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, sob a ordem do anjo Ismael, conforme descrito por Humberto de Campos (Irmão X) e ditado ao santo homem, Chico Xavier, que o Cauim nasça em meio a homens de diferentes procedências, más iguais na fraternidade e no amor como energia de união e celebração". 

Amem 

Então vamos ao Processo Japonês, desenvolvido por Pagano, em sua versão simplificado 

Para produzir aproximadamente 1 litro de Cauim, usamos: 
- 500g de sagu, de qualquer marca;
- 85g de Koji do tipo Moromi Go, para Sake Ginjo;
- 5g de Levedura 'Premier Cuveé' da Red Star.

Processo


0 - Fases

Etapa No
Processo
Nome em Tupi Antigo
Descrição
Horas/Dias
1
Mbeîu apó
"fazer o beiju" preparo das pérolas de mandioca (sagú)
0:00'00
2
Mbeîu moakyma
embeber o beiju, lavagem de 5 ~10 minutos
0:05'00
3
T-y-pûera mopupu ra–sara
ferver a matéria prima, 1 dedo acima de água até o ponto certo
0:11'00
4
Mbeîu motimbora
cozimento no vapor
0:40'00
5
Sabẽ apó
preparo dos esporos (koji ou 'sabẽ' em Tupi Antigo)
0:00'00
6
Sabẽ nonga
colocação dos esporos - usa-se um Sabẽ M'baraká para povilhar o sabẽ
0:04'00
7
Sabẽ mbeîu moe’ẽ

literalmente (os epsoros tornam o beiju sápido, ou doce) 
processo de crescimento do sabẽ, segui a indicação de horários e temperaturas conforme o produtor de koji
50:00'00
8
Nygynõama nonga
colocação da levedura, conforme indicações do fabricante
0:02'00
9
Haguino

fermentação multipla paralela
16 dias
10
Pokuya
(lit. Cauim sujo ou não filtrado)
separa-se o cauim não filtrado do material que decantou-se no fundo
0:10'00
11
Mbeîu mogûaba
filtração para separar o Cauim de seu subproduto sólido para finalmente se ter o DOBUROKU
4:00'00
12
Katu
(lit. Cauim  filtrado, limpo)
o cauim filtrado tem pouca diferença do Pokuya0:00'00


1 – Mbeîu apó (Preparo da mandioca, ou Beiju) - 

Em Tupi Mbeîu apó  significa "fazer o beiju" o processo tem inicio quando preparamos a mandioca para ser transformada em Cauim, no caso de nosso DOBUROKU simplificamos o processo comprando pérolas de mandioca industrializada, não há mais necessidade de fazer qualquer processo na mandioca, como na imagem, a mulher chamada de Kaûĩ apó sará’ (mulher que prepara o Cauim) esta pilando a mandioca (em Tupi Ungûá pupé o-îo sok);

0 Sagu é lavado por 10 minutos e colocado numa panela, com um dedo de água acima do nível de pérolas, fervido em fogo baixo até ficar com o núcleo branco e bordas semi-transparentes. 



A seguir, separa-se 1/3 da porção para ser cozida no vapor por 40 minutos, envolto em pano de algodão.


Na fase de T-y-pûera mopupu ra–sara do processo tradicional indígena, as fervedoras de caldo, chamadas de Mopupura-sara fervem a mistura


2 - Sabẽ apó (Preparo dos esporos) – 


Os esporos que usei nesse experimento foi comprado de uma empresa tradicional, lá em Kyoto, más hoje em dia, você pode pedir pela internet.


Eu usei um koji do tipo MOROMI GO, próprio para sakes do tipo Ginjo.


Para polvilhar os esporos usei uma Sabẽ M'baraká, com peneira de indígenas Tikuna ao ritmo da musica de enaltecimento à Mani, composta pelo Professor Ariel Oliveira:



Mani omanõ yby resé toîkó 
oré 'anga rembi'urãmamo.

Mandi'oka asé reté oîopóî; 
kaûĩ asé 'anga oîopóî.

Tradução

‘Mani morreu da vida terrena para virar alimento espiritual do nosso povo’

‘A mandioca alimenta o corpo 
e o Cauim alimenta o espírito’

Glossario em Tupi Antigo

Mani - Deusa Mani da mandioca;
manõ - morte, morrer;
yby - Terra, mundo;
embi-u - (ou emiú) -(t) (s) comida;
asé - a gente; nós (universal);
angá - espírito, alma (eco, sombra);
eté -(t) (s) corpo;
kaûĩ - Cauim;
poî - (îo) almientar, dar de comer;


2.1 - Sabẽ M'baraká - o início da vida do Cauim


O Maracá (M'baraká em Tupi antigo)  tem importância que vai alem da força rítmica, dentro do pensamento mágico e espiritual ancestral de nossas etnias, tal como o corpo humano é embalado pelo som emitido pelo espírito, que habita nossos interiores, as pedrinhas e sementes colocadas dentro da cabaça, emitem o som da vida.

O poder do Maracá  assombrou Hans Staden, Jean de Léry e Lévy Strauss, como energia viva e simbólica dos povos Tupinambá, Tupiniquim, bem como etnias que sobrevivem até os dias de hoje, de acordo com Alfred Metraux, os Tupinambá acreditavam que dentro de um contexto xamânico, o maracá servia “de receptáculo ao espírito,  ... e na crença de que o seu ruído reproduzia a voz dos espíritos.”

Dessa forma, fui aconselhado a dar o nome de Sabẽ M'baraká ao pote de aspersão do koji (麹菌の小瓶 - Kōjikin no kobin em Japonês), pois esse instrumento, bem como o ritual de aspersão, é o que vai dar a vida à bebida. Daí a importância de se cantar a música enaltecendo a deusa Mani durante esse processo.

3 - Sabẽ nonga (Colocar os esporos) – 

No método de produção ancestral esse processo chama-se Aîpi o- su'u su’u I nomu (literalmente mastigar e cuspir) as Kunhã-Muku, (mulheres que produzem o Cauim) mastigam a mandioca, salivam e devolvem a devolvem na Ygassaba. A amilase da salivar quebra as moléculas de amido em açucares.

Não podemos usar esse recurso do método ancestral por motivos óbvios, dessa forma usamos esporos do fungo Aspergillus Orizae, o koji (Sabé em Tupi antigo) para esse fim.


Uma vez que os esporos estão energizados e bem colocados no Sabẽ M'baraká, polvilha-se na bandeja contendo o beiju (do Tupi antigo Mbeîu - mandioca já processada para fazer o Cauim) ao ritmo da música, alternando em ângulos de 45 graus a cada refrão, por 8 vezes até completar 360 graus.

Tykueryru - invólucro térmico utilizado para preservar temperaturas do Cauim, a Kaûĩ apoha (fabrica de Cauim) pode usar esse artefato para mostrar o frescor do cauim, conforme as folhas de pitanga vão envelhecendo e perdendo a cor, elas indicam quanto tempo o Cauim foi finalizado - esse artefato tem o propósito de mostrar ao cliente o quão fresco o cauim está a partir da coloração das folhas. No meu caso, utilizei para manter a temperatura de sacarificação elevada com a ajuda de um aquecedor.


O koji (sabe) restante foi misturado com o sagu restante, mexi muito e reservei em uma jarra, coloquei dentro de um Tykueryru térmico para preservar a temperatura, ambas as porções receberam aquecimento conforme tabela progressiva, recomendada pelo fabricante.

No meu caso, dividi 1/4 do koji para ser sacarificado na caixa térmica e outros 3/4 na garrafa aquecida por um aquecedor de bobes.


o controle de temperatura é crucial nessa fase.


Uma dica legal para que não tenha que acordar no meio da noite, só para ficar ajustando a temperatura de sacarificação é começar o processo as 17:00 horas e ja deixar tabuleiro com 32°C, assim você só ira ter aue fazer o ajuste de SAKARI (33°C) às 12:00 do dia seguinte, ainda no mesmo dia as 22:00, faz o ajuste de SHIMAI SHIGOTO (36°C), e as 06:00 do segundo dia o ajuste para SAIKO (temperatura máxima de 43°C), para poder retirar o beiju pronto às 18:00horas. 

4 - Haguino (fermentação alcoólica) –


O Hauguino acontece por mais de doze dias em temperaturas baixas, de preferencia abaixo dos 15ºC , [Sabẽ] mbeîu rygynõama nonga (colocar o [mofo] com que o beiju fermenta) - 
Nessa etapa, equevalente ao SHUBO (米麹) da produção de Sake,  adiciono fungos (levedura) para promover a fermentação alcoólica (fermentar: haguino, vu), num processo conhecido como fermentação paralela múltipla, o koji quebra amido em açucares enquanto que a levedura transforma esse açúcar em álcool;

Antes de começar a fermentação experimento o aujé mbeîu (mandioca já sacarificada) do tabuleiro 


está levemente adocicado...


e os grãos apresentam o aspecto típico da modificação causada pelo crescimento dos esporos


enquanto que o sabor do aujé mbeîu da jarra está com mais doce e com maior complexidade, decido então fazer a mistura dos dois beijus no mosto.




Adição da levedura-

Para esse experimento, usei levedura Premier Cuveé, da Red Star, como um pacotinho de 50g. dá para 20 litros de bebida, usei 5g. para uma jarra de 2 litros.


Acrescentei a levedura diluída em água mineral a 30°C acrescentei a mistura dos dois aujé mbeîu


Coloquei na parte baixa da geladeira, com temperaturas na faixa dos 11 , no dia seguinte constatei que a fermentação estava acontecendo, pois havia a formação de bolhas na superfície.


No segundo dia de fermentação, os aromas característicos começam a aparecer, o material sólido fica mais decantado e a formação de bolhas é mais lenta. percebe-se também que o MOROMI está ficando mais líquido. 


Quando chegou no 6º dia mexi com intenção de misturar muito o beiju que se tornou sápido com as leveduras com o intuito de aumentar os efeitos da fermentação paralela múltipla.


Essa é a


5 - Mbeîu mogûaba (coar/peneirar o beiju - Filtração) – 




No processo ancestral separa-se o amido do Tucupi (soro que se desprende da massa) com o uso do Tepiti. Aqui representado como fase da filtração mecânica, separa-se o sake kasu (酒粕 - sobras da fermentação ) do Cauim.


Ao final de 16 dias a fermentação parece ter terminado, nesse momento sugiro separar seu Cauim dos materiais sólidos de duas formas.

A primeira separação é por cima, no caso retirei com um frasco de ponta fina. Essa porção superior que se separou do material sólido damos o nome em Tupi Antigo de Poquya (sujo em TA),  é o equivalente ao にごり酒 (nigurizake) do sake, o Cauim não filtrado, resultante somente da decantação (por isso que desde o 6º evitei de mexer ou balançar o frasco de fermentação).


Depois disso eu mexo vigorosamente o material restante e passo por um filtro de algodão cru.


Repare o o braço que fixei o filtro foi feito com uma marchetaria da bandeira brasileira, feita numa unidade quilombola, pois como artista e brasileiro, quis incorporar elementos de todas as culturas que misturadas formaram o povo brasileiro. Como disse anteriormente “Produzir o Cauim é um trabalho essencialmente brasileiro e essencialmente Tupi. Trata-se muito mais do resgate das nossas raízes do que da elaboração da bebida alcoólica em si”.


E por fim, termino a fase Mbeîu mogûaba (coar/peneirar o beiju) em si. Se quiser, pode colocar o saco em prensas, para obter a maior quantidade possível de Cauim. 


O resultante da filtração do Cauim é chamado de Katú (limpo) em Tupi antigo. 

Para decidir o quanto deve continuar a filtrar, eu sugiro experimentações constantes, pois quanto mais se espreme o material sólido, maior a quantidade de material sólido se mistura ao Cauim final, causando pequenas alterações de sabor.

6 - Aanga - (Degustação - provar/ a prova)


A degustação do Katu (Cauim bruto) tem pouca diferença do Poquya (Cauim filtrado), que tem mais presentes aromas e texturas de mandioca. 

O aspecto visual tem cor amarelo esverdeado, característicos da bebida.

No olfato, temos aromas bem frutados e florais, ainda com um pouco de aroma de mandioca vindo do material solido.

No paladar, essencialmente o resultado foi satisfatório, com elementos florais e frutados, o Cauim tem um lado 'azedo' de polvilho, o conjunto lembra um pouco chá de camomila, é bem fraco de graduação alcoólica e ficou um pouco aguado.

Percebo ainda uma série de defeitos nessa bebida caseira, no meu próximo DOBUROKU vou tentar fazer em maior quantidade, talvez 5 litros e tentar melhorar a sacarificação do beiju, conseguindo assim mais açúcares e consequentemente, produzindo mais álcool e corpo. 

Degustação de Cauim


FAÇA SEU CAUIM E CONTE PRA MIM

A produção de Cauim ainda está em seu estágio experimental, muitas técnicas ainda podem aparecer, bem como novos hábitos de consumo - sugiro ao o leitor que inove, adapte o que conhece com idéias de criar novas técnicas e compartilhe nesse post, minha proposta de divulgação é criar um ambiente WIKI, para que possamos ter o Cauim de qualidade no menor tempo possível, e todos os brasileiros consigam participar dessa nova experiência festiva.

T'ereikokatu (saúde em Tupi Antigo)



Vovô Índio o Papai Noel Brasileiro

  Papai Noel nos trópicos conta com seu co-relativo, O Vovô Índio, para a entrega de presentes . Os bons velinhos adorados por crianças ingê...