segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Como o Cauim pode salvar etnias e biomas brasileiros

A aldeia que optar pelo projeto teria uma produção sustentável de Cauim plantaria a mandioca em Mandiomityma (unidades agroflorestais de pluriculturas) e um ambiente de produção de baixo impacto ambiental na aldeia, com vias de fluxo comerciais afastadas do dia-a-dia do povo

 Existe um ativo brasileiro inexplorado, com enorme potencial econômico escalável, capaz de se tornar num forte agente econômico, social e estratégico, com poder de enaltecer a cultura brasileira no exterior e ainda promover grande vantagem estratégica na preservação de aldeias indígenas brasileiras e consequentemente, nossos ameaçados biomas  – O Cauim.

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 É importante que se diga que o Cauim, bebida 100% fermentada de mandioca é produzida em grande parte do território brasileiro, pelas mais de 305 etnias restantes e provavelmente por centenas de outras já extintas, milênios antes da chegada dos colonizadores europeus, como parte de rituais que se diferenciam entre as nações indígenas, pertencentes de antigas tradições orais, preservadas por anciões – essa bebida e todo seu contexto cultural/religioso não deve, de forma nenhuma ser reduzida a elemento de comércio, não é disso que estamos falando aqui.

 Me refiro a uma bebida produzida comercialmente, cuja a amilase salivar, usada nas aldeias indígenas, fora substituída por processos industriais, frutos do trabalho que venho fazendo, junto a um reduzido grupo de estudiosos – bebida essa que já pesquiso a mais de 10 anos, a qual tenho patente mas ainda carece de classificação junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e proponho a deixá-las abertas em bem da causa brasileira, da mesma forma que Santos=Dumont fez, abrindo mão da patente de seus dispositivos de voo, visando a prosperidade e integração dos povos do mundo, numa corrente econômica que chamo de prospenomics.

A unidade de produção de Cauim, Kaûĩ apó sará em Tupi-Antigo, é bem símples - conta com uma panela de cocção (Mbeîu motimbora), Chiller (ro'y) e uma dorna de fermentação (Haguino ygua). A estrutura ainda contaria com painéis solares (Kûarasy ybyra), tratamento de dejetos e compostagem, uma loja e centro cultural, para contar um pouco da historia da etnia, cumprindo papel ecológico, cultural e gerando retorno financeiro

 Uma vez que uma comunidade indígena aceite o projeto, esse agente de transformação, pode unir o povo brasileiro sobe o brinde do raro champanhe da floresta para uma causa fraterna e nobre.

1-O CAUIM

Como saber se essa bebida tem um efetivo fator gerador de prosperidade?

 Trabalho no mercado internacional de bebidas já a mais de 20 anos, viajei o mundo promovendo e sabendo como promover as mais diferentes categorias de bebidas, e foi com esse espírito que comecei a me interessar pelo cauim.

As Mandiomityma, fazendas de cultivo em sistema agroflorestal poderia ter em harmonia, a mandioca junto com Fruta-do-conde, Mucurana anã, Guandú - nesse quesito, os anciãos da aldeia ceratmente ensinariam os técnicos, numa parceria de mutua aprendizagem com o SEBRAE, EMBRAPA ou qulauer outro órgão apoiador do projeto.

 Devo dizer que no começo de minhas pesquisas tive grande dificuldade de produzir uma bebida gostosa e de qualidade, mas de 2016 para cá, venho, junto a meu associado, Hildo Sena promovendo degustações e jantares harmonizados com as novas safras e o resultado tem sido surpreendentemente bom.

 A qualidade dessa bebida, bem como as mais variadas formas que ela pode se apresentar, tem o potencial de crescer exponencialmente conforme forem aceitos e aprimorados por cada etnia aceitante, acrescida de suas idiossincrasias.

2-OS MOTIVADORES

O CAUIM TEM O POTENCIAL DE SER UM EQUALIZADOR DE FORÇAS NUMA BATALHA A QUAL O MEIO AMBIENTE E AS COMUNIDADES INDÍGENAS VEM PERDENDO DE LAVADA

 Vemos que diversas etnias em suas aldeias tem a necessidade cada vez maior de obter recursos monetários, seja pela redução de mata de caça, perda de território fértil ou a degradação da qualidade dos rios. O dinheiro que ganham através da venda de artesanato ou benefícios sociais fornecidos pelo governos, são por muitas vezes, sua única fonte de subsistência.

 Bebidas alcoólicas tem potencial de retorno escalável.

 No Brasil enfrentamos uma dura realidade, a floresta amazônica, o pantanal, o cerrado, a mata atlântica e outros biomas brasileiros estão sendo dizimados em ritmo alarmante, existem diversas forças que estão agindo livremente e indiscriminadamente.

Em nossas experiências conseguimos um Cauim espumante genial! essa bebida poderia ser tida como o "champanhe da floresta", devido a sua escassez programada - a bebida deve ser feita em pequenas quantidades, para aumentar sua raridade, ter preço premium, de forma pré-concebida 

 Essas forças antagônicas são compostas por garimpeiros, grileiros, madeireiros, fazendeiros predatórios e invasores em geral.  São agentes motivados, violentos e detentores de recursos financeiro, que lhes permite bancar bons advogados, lobistas, e meios corruptos para perpetuarem suas ações.

 Os povos indígenas são os que estão mais expostos a esse pesadelo, e correm risco de serem dizimados impiedosamente, numa batalha desesperadora e quase sem perspectivas de vitorias.

Como muitas aldeias optam pela tradição oral, essas etnias podem desaparecer sem ao menos deixar registro cultural de sua existência.

 UMA PERDA CULTURAL INESTIMÁVEL

 Não se protege a floresta ou as etnias colocando uma cúpula sobre elas, a idéia é fortalecer essas células de preservação individualmente, através de capacitação intelectual e monetária. A ajuda externa fornecida pela FUNAI, ICMBio, ONGs e outras instituições são dignas de elogio, mas ainda assim insuficientes no atual cenário, o ideal seria ter células de proteção robustas e eficientes em todas as esferas sociais, sem que para isso perca sua essência - o Cauim cumpre perfeitamente essa função.

Duas coisas deverão ser bem sofisticadas nesse projeto; a bebida em si e o sistema de logística Reversa - A adequação à PNRS. QR Code e outros sistemas que permitam a reciclagem de 100% de suas embalagens serão mandatórios - o impacto ambiental nas Kaûĩ apó sará deverão ser o mais próximo possível do zero.

 É muito importante dizer também que esse projeto não tem qualquer viés político, de critica a esse governo ou a governos anteriores – a filosofia prospenômica, mola propulsora desse projeto, entende que devemos confiar a solução de problemas de ordem prática, que afetam a coexistência harmônica do homem junto ao meio ambiente, à ciência e não à política.

3-QAUIS SÃO OS PASSOS SEGUINTES?

 A bebida em si já existe e já atende os padrões de qualidade necessários para entrar no mercado, no entanto, para que o projeto decole, atinja plena viabilidade comercial e se torne sustentável precisamos de 3 perfis de stakeholders:

1-Comunidades Indígenas – Além de serem os protagonistas detentores do retorno proveniente da venda das bebidas, poderão ainda optar por expandir elementos de sua cultura através de hábitos de consumo e ações de trade-marketing;

2-Investidores e filantropos – No caso de doadores filantropos, esses poderão ver o fruto de suas doações se multiplicarem, devido ao perfil escalável do projeto. Quanto aos investidores, esse projeto de risco tem o potencial de crescimento tal como outras categorias de bebidas criadas a partir dos anos 80:

–      Energy Drinks surgiram com a Red Bul em 1987, tem mercado avaliado em US$53.01 bi e crescimento estimado com um CAGR ( Compound Annual Growth Rate - Taxa de Crescimento Anual Composta) de 7,20%;

–      RTD (Read to Drink) bebdias como a Smirnoff Ice, que surgiram no final dos anos 90, com mercado estimado para o ano de 2025  de bi US$25.96, com crescimento estimado de CAGR na casa dos 4,5%;

 Essas duas categorias de bebidas foram sugeridas como meros pontos de comparação. O cauim, por se tratar de uma bebida clássica, histórica, com potencial de representatividade, para o Brasil, tal como a tequila representa o México e o saque o Japão, seu comportamento de crescimento real é desconhecido.

 3-Profissionais Técnicos – Com a pandemia de Coronavirus o numero de desempregados com aptidões técnicas aumentou enormemente. Uma vez que tenhamos investimento em unidades de produção, logística de distribuição, vendas, marketing, trade-marketing, etc. teremos novas oportunidades de emprego, criando novos postos de trabalho, bem como promoveremos a capacitação da nova geração, com projetos sustentáveis;

4-CUSTOS DE PRODUÇÃO E VIABILIZAÇÃO

Quanto a matéria prima, o único pré-requisito obrigatório é que a mandioca, matéria prima básica, seja produzida em aldeia indígena, com a mandioca plantada em meio a floresta, sem que arvores sejam derrubadas, de forma que não se caracterize como monocultura. A produção deve ser bem pequena, harmônica com a  natureza, sem pesticidas, de forma que sua escassez justifique preço premium, tal como acontece com bebidas produzidas na região de Champagne;

 A estrutura básica de uma unidade de produção não é diferente das micro cervejarias de fundo de quintal, bastante comum nos últimos anos. Para produção de 100 litros de Cauim precisa-se de panela de cocção, uma dorna de 100 litros e chiller, orçados em aproximadamente R$60.000,00;

 Garrafas de vidro deverão ser bem características e retornáveis, a logística reversa será um ponto obrigatório nas plantas de produção.

 A princípio teremos uma estrutura de negócios em São Paulo, no primeiro momento, que poderá se expandir para outras regiões do Brasi – no entanto, nada impede que o negocio cresça de forma orgânica, em região diferente, conforme dinâmica e necessidade do investidor / etnias aderentes ao projeto.

UMA CURIOSIDADE IMPORTANTE!

Importante dizer que sou Ominireligioso, acredito em todas as religiões que passo a conhecer, inclusive as cristãs, bem como as de nossos povos ancestrais. Incentivo a livre prática religiosa e sou terminantemente contra a catequização, bem como qualquer outra forma de imposição de fé.

Isso posto, gostaria que soubessem que a primeira vez que obtive sucesso com a sacarificação e fermentação da mandioca, foi num feriado de Nossa Senhora, com minhas experiências em meu estúdio.  Depois disso, coincidentemente obtive grandes avanços no projeto nessa mesma data nos anos seguintes, uma delas na unidade da Pernod Ricard de Rezende, próximo ao Santuário de Aparecida.

Fiquei estasiado ao reparar que publico essa postagem hoje, num dia 12 de outubro, sem ter a intenção prévia, nesse sentido, decidi acrescentar a oração da virgem Maria em Tupi-Antigo, conforme tradução do Padre Anchieta, para celebrar a data:

Ave Maria,

graça resé tynysémbae,

nde irúnamo Jandé Jára rekóu;

imombeúkatúpyramo ereikó kuňã suí. 

Imombe´úkatúp yrabé nde membyra, Jesús. 

Sancta Maria Tupãsy, eTupãmongetá

oré iangaipábae resé, koyr irã,

oré jekyl oré rúmebéno.

Amém.

 Que a Virgem Mãe abençoe esse projeto, que tem propósito multicultural, fraterno, inteligente e com o potencial de reverter previsões negativas, prolongando a estadia humana nesse planeta hermético!

 Quanto ao Cauim em si, nada está escrito em pedra, por se tratar de um projeto embrionário com objetivos de bem social, o mais importante é que decole e atinja seus vários objetivos prósperos.

Se você tem interesse em viabilizar esse projeto, por favor, procure a mim, Luiz Pagano ou meu sócio, Hildo Sena.

T'ereîkokatu ('cheers' em Tupi Antigo).

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Calçadas e Postes de São Paulo - Falta de identidade falta de civilidade

Você olha uma calçada dessas e se pergunta "para onde vai o dinheiro que pago de impostos?" É muito difícil levar seu prefeito a sério vendo isso. Após uma obra a SABESP, CONGÁS, ENEL não capricham no fechamento, e o efeito fica cada vez pior - CAPRICHAR PRA QUE??
Imagine uma vila que não tivesse uma liderança centralizada, sem prefeito ou alcaide! Agora imagine que essa vila vive nos primórdios da chegada das lâmpadas elétricas, todos ficam entusiasmados com a revolução e decidem colocar luminárias voltadas para a rua, pois assim, todos enxergariam as ruas durante a noite.

Teríamos um problema aqui e ali, pois sempre tem aqueles que querem se beneficiar da luz sem colocar a mão no bolso, ou aquele outro que, por diversão, gosta de jogar uma pedra para quebrar a lâmpada, são os chamados vândalos, más são casos isolados...
ESSA FAZ EU SENTIR ORGULHO DE SER PAULISTANO - É exatamente a mesma calcada só que a prefeitura se preocupou em repor os pisos corretos, o asfalto é bem feito, foi feita a manutenção adequada, colocou-se um gradil para as raízes crescerem sem quebrar o piso, bem como foi instalada a sinalização tátil para deficientes visuais. Um detalhe!! - tem uma sujeirinha ali perto da árvore, más aposto que você nem reparou.

Nesse cenário se justifica então pagar um IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) para a prefeitura, uma administração centralizada, nos dispor esse serviço básico e especifico, descrito por David Hume em 1734 para explicar que, uma vez arrecadado, a prefeitura, deve ser totalmente responsável pelo mobiliário urbano de uso coletivo – No entanto, aqui em São Paulo, nenhum prefeito ou eleitor desde os anos 50 ouviu falar dele...
Esse é o poste tipo 18, se quiser ver um de perto é só ir na Biblioteca Mario de Andrade -  Verdadeiros ícones da cidade de São Paulo, os postes da Light estão cada vez mais abandonados. Os antigos postes de energia da The São Paulo Tramway, Light and Power Company Limited começaram a ser implementados na cidade em 1927, quando a companhia de energia fechou um contrato com prefeitura e governo do Estado para reformular a iluminação pública no município

Não estamos cogitando nem a hipótese de trocar as luminárias existentes, somente a mera manutenção bastaria, será que é tão caro assim?
Variação da lâmpada suspensa tipo 03 na rua 15 de Novembro

 As luminárias lindas da Light estão se deteriorando a passos rápidos, e a pergunta que cada um que passa nessas ruas faz é “será verdade que a prefeitura não tem dinheiro para fazer a manutenção desse ponto básico de toda a teoria da coleta de impostos?”, a resposta é "Tem sim, más muito se perde em corrupção e inépcia".
Os postes da Light mais comuns ainda hoje são os postes do tipo 13 e o tipo 21

Os postes de iluminação tem um papel que vai alem de iluminar a rua, deveríamos sentir orgulho de nossos símbolos urbanos. Más no caso de São Paulo, eles representam a falta de cuidado e o pouco caso. Ao ver que o poste ou a calçada estão deteriorados,  o cidadão sente pena de sua própria cidade, e isso é ruim de mais.
Esse é o poste de São Paulo, tipo 16, o mais fácil de se achar - tenha orgulho de sua cidade e cobrebde quem tiver que cobrar para termos uma cidade mais limpa e linda.

O descaso completo de nossos administradores públicos é triste, a impressão que o conceito de ‘coisa bem feita’ é algo que não vale a pena se preocupar.

O estado de conservação das calcadas e do mobiliário urbano de São Paulo são os principais elementos causadores de depredação e baixa civilidade e crimes. Quando você vê uma calçada nessas condições, você percebe que os órgãos públicos são ineptos, relaxados e não transmitem a menor seriedade.
Os primeiros são os últimos - Luminárias do tipo 1 e 2, duvido alguém achar alguma luminária dessas 

É a chamada teoria das janelas quebradas "broken windows theory" , um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a macrocriminalidade.
Olha só como era legal o Anhangabaú com as luminárias tipo 23 - "Já não se faz São Paulo como antigamente, isso sim era uma cidade de respeito…"

quando você vê uma calçada bem conservada, se sente amparado e protegido pela sua cidade, inspira cidadania e respeito. Alguém de bomsenso e civilidade, jamais jogaria papel, bituca ou chiclete numa via dessas - no mínimo a probabilidade estatística de isso acontecer seria bem reduzida. Se casarmos uma política de multas e pequenas punições, a situação melhoraria muitíssimo.

Com uma arrecadação de 3 bilhões de reais, deveríamos ter uma cidade mais bem apessoada!!
Luminárias do tipo 03, suspensa sobre dois postes e a numero 23 - lindas!!

No ultimo dia 24 de janeiro de 2019 o Prefeito Bruno Covas promulgou o decreto nº 58.611, que tem como objetivo padronizar as calçadas de São Paulo, essa iniciativa está no caminho certo, mas responsabilizar o morador de forma total ou parcial, é um dos piores erros que a prefeitura vem fazendo – transferir responsabilidade só porque não tem dinheiro não justifica.

SÃO PAULO CONTINUA SENDO A CAPITA MUNDIAL DA CALÇADA FEIA :(
Depois da Light veio a estatal Eletropaulo e a já privatizada a AES Eletropaulo, por fim a Enel Distribuição. Pode-se dizer que a cada mudança a situação degringolou mais - Essas luminárias fazem parte da identidade do paulistano, cobre de quem for necessário.

Em abril o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou que a queda na arrecadação da Prefeitura, por causa da pandemia do novo coronavírus, deverá chegar a R$ 3,6 bilhões. O prefeito atualizou a estimativa anterior que estabelecia o valor em R$ 1,7 bilhão.

Mas isso não é desculpa.

Sonho em um dia poder admirar os lindos postes da Light sem correr o risco de torcer o pá, quebrar o pulso, arrebentar o nariz...

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Do Ka’á Guatá à Avenida Paulista

Casarões da Av Paulista 1902 - reconstituição colonizada da clássica foto de Guilherme Gaensly, tomada da torre da casa n.91 de Adam Von Büllow com o Pico do Jaraguá ao fundo
A Avenida Paulista, principal arena cultural e econômica da cidade de São Paulo dos dias de hoje, teve importância relativamente igual para os povos brasileiros ancestrais. A chamada floresta do Ka’á Guatá, nome em lingua Tupi-Antiga para se referir a “A Grande Mata” que recobria todo o cume do espigão montanhoso de 800 milhões de anos, é a estrutura de granito que forma o sitio de São Paulo de Piratininga. Hoje, com bem menos cobertura verde, deixa passar as avenidas Paulista, Doutor Arnaldo e Cerro Corá.

Se o menor Triângulo Histórico que se eleva dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, apontado para a antiga montanha sagrada do Inhapuambuçú (hoje aterrada) é tido como o centro arqueológico e geográfico da America do Sul (veja artigo https://ameobrasil.blogspot.com/2020/07/triangulo-historico-de-sao-paulo-o.html ) a mata do Ka’á Guatá formada no topo do grande triângulo dos rios Tietê e Pinheiros, tendo como montanha sagarada o Pico do Jaraguá (Tupi-Antigo - Yara Guá – O Senhor do Vale) era o principal repositório de vida e energia, seja por suas várias nascentes, ou por sua capacidade de fornecer caça e pesca abundante e variada. Lá nasciam os vários rios e córregos que alimentam o rio Tietê, conhecido pelos Tupiniquim como a Mãe Virtuosa, (do Tupi Antigo - Sy eté - lit “a mãe que tudo provê”).
Espigão da Paulista, a mata do Ka’á Guatá formada no cume do grande triângulo, formação geológica de 800 milhões de anos alimenta os rios Tietê e Pinheiros com os córregos que dela nascem nascem, tinha importância vital para a dinâmica dos Tupiniquim.
O livro de Marco Antonio Veras, ‘João Ramalho o pioneiro povoador’ nos dá um relato da vida cotidiana de João Ramalho e Tibiriçã “Depois da dança, a comilança, caças assadas, beijus, mingaus, frutas. Tudo acompanhado de goles de cauim, muita risada e alegria. Com todo esse cerimonial complicado, casaram João Ramalho e M’Byci (Flôr de Árvore - Bartira ou Potira), ou Potira, a flor do sertão. João Passou a vivier na oca principal, a do chefe da aldeia Tibiriçá, agora seu sogro. A vida voltou a rotina, o moço gostava de acompanhar os guerreiros em suas caçadas e pescarias. Frequentemente visitavam outras aldeias do mesmo povo Guaianá, eram muitas para chegar até elas, desciam o rio próximo à taba, que se chamava Tamanduateí, na desembocadura deste, em um rio bem maior, que chamavam de Tietê, subiam ou desciam conforme o local que queriam visitar. A quantidade de animais silvestres que viviam nos campos próximos a esses rios, os peixes que viviam nessas águas, impressionavam a João, acostumado aos poucos peixes de rios de clima temperado, de sua terra”.
Antigo trecho inicial da Avenida Paulista, da rua Minas Gerais, até a rua Augusta de hoje - com a troca de numeração, esse trecho passou a ser o fim da av. Paulista, que,  conforme conhecimento popular, diz se assemelhar ao casamento, que começa no Paraíso e termina na Consolação

Infelizmente, os únicos 'índios' que restam hoje na densa mata do Ka’á Guatá são os pintados na tela do artista italiano Agostino Brunias (c. 1780) em exposição no MASP. A obra que fora doada em 1951 por João Doria (pai) com algumas atribuições erróneas, foi reavaliada e desmentida no ano de 2015. Doria acreditava que o quadro fosse de Jean-Baptiste Debret e que os indígenas fossem do Brasil, no entanto  mediante reconsiderações de especialistas, a pintura foi devidamente atribuída a Brunias, pintor inglês de origem italiana que morou no Caribe, local onde pintou bem o que conhecia, cenas de uma população miscigenada, entretida em atividade cotidianas, aparentemente um picnic (veja ilustração em imagem bem abaixo).

Manancial

Mesmo tendo perdido muito de sua cobertura verde, o espigão central ainda é responsável pelo nascimento de de diversos corregos e rios. Na face norte nasce o córrego  Fortunato Ferraz cuja nascente se localiza perto do Poelezão, na Vila Leopoldina, o Córrego Tiburtino que nasce na Cerro Corá, o Corrego da Água Preta (Heitor Penteado), Sumaré e Saracura, que nascem em lugar proximo ao MASP e corre por toda extensão da 9 de Julho, desaguando no Córrego do Anhangabaú, o sagrado rio dos Tupiniquim, ambos poluídos e canalizados, e o rio Itororó, que tem sua nascente nas dependências do Hospital Beneficência Portuguesa - como ja foi dito, todos eles correm em direção ao Rio Tietê.
No antigo começo da Avenida Paulista existia uma obra que era dividida entre o amor e ódio pelos paulistanos, o Monumento a Olavo Bilac, construído pelo movimento 11 de Agosto da Escola de Direito do largo de S. Francisco, tinha obvias inclinações políticas. A figura de Olavo Bilac parecia estar coordenado o transito, as estatuas auxiliares que pecava pela arrogância do artista escultor William Zadig, que pobremente tentava se igualar a Rodin, tinha seu ponto mais polemico com a estatua do 'Beijo Eterno' - a partir daí vemos as casa de n. 01 do lado esquerdo e 2 do lado direito, que pertenciam respectivamente a Antonio e Thereza Rolim de Oliveira, (Antonio era membro do movimento que colocou a estatua no começo da Paulista). A casa de n. 7 pertenceu a Antonio Pereira Inácio, O Colégio Anglo-Brasileiro, ocupava o lote de n. 17, que hoje dá espaço ao colégio São Luiz, a igreja Jesuíta de São Luis Gonzaga só ficou pronta no ano de  1935. Do do lado par temos ainda as casa de n.6 de Antenor Camargo Penteado, n. 8 de Taufik Camasmie, que sobreviveu em mal estado de conservação, exibindo outdoors de frente a rua da Consolação, foi demolida na década de 1980 nas obras de construção do Metrô Consolação, e a casa de n. 46 que pertenceu a Horacio Belford Sabino, cuja o enorme terreno serviu para a construção do Conjunto Nacional.
Na face sul temos o Corrego Belini e o Corrego das Corujas que nascem proximo à Praça do Por do Sol, o corrego Verde, o Corrego iguatemi que Nasce na José Maria Lisboa, esquina com a Alameda Franca e desce pela 9 de julho e Artur Ramos em direção ao Pinheiros, o Corrego do Sapateiro que nasce no Paraíso, passa pelo parque do Ibirapuera e corre pela Juscelino Kubistscheck – da mesma forma, todos esses correm pela bacia hidrográfica do Rio Pinheiros e para ele correm.
O Monumento a Olavo Bilac foi retirado e espalhado pela cidade - o Beijo eterno esta na frente da Escola de Direito do Largo de São Francisco. ,a casa de n. 01 deu lugar a un estacionamento e a de n. 2 virou praça. 

Nos primeiros anos de colonização, encontramos varias menções a esses rios e corregos ao dar referência aos chafarizes públicos, as bicas e as fontes que abasteciam a cidade, destacam-se a Bica do Moringuinho, próxima à atual Rua Jaceguai, e a Bica do Acu, nascente que existiu no cruzamento da Rua Brigadeiro Tobias com a Rua Santa Efigênia.

O Hospital Santa Catarina e o quarteirão Final da Paulista, (hoje o início dela) 
A Rua Jaceguai teve origem num caminho que conduzia a essa bica cruzando ao vale. Outra nascente bem conhecida ficava no local onde hoje está a Praça Carlos Gomes. Era a Bica de Baixo.

Da Mata ao Loteamento

Nos anos de 1700~1800 o espigão central era ocupado pela chamada Chácara do Capão, (do Tupi-Antigo - Ka’á Y’pa’un, ilha de matas, lugar com grande concentração vegetal) composta por diversas propriedades de terra ligadas por outras trilhas e caminhos abertos para conduzir boiadas, dentre eles a rua principal, chamada de Rua Real Grandeza, nome dado ao percurso que hoje corresponde à av Paulista.
Um dos passeio mais legais das classes ascendentes nos anos 50 era ir até a avenida Paulista de carro, chegar até o fim da avenida, no bairro do Paraíso e abastecer no Posto de Gasolina Atlantic. Antes do posto ficar nesse local era a casa do Comendador João Fraccaroli empresário do ramo de hotelaria em Santos. Nos anos 20 a Standard Oil ganhou uma concessão para colocação de uma bomba de combustível na região da praça, o Hospital Santa Catarina, de 1904 foi ampliando cada vez mais até sua ultima reforma no ano de 1993, quando também inaugurou um pequeno museu com peças de sua história,

A partir do desejo dos abastados paulistas em expandir na cidade em novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próximo às mais movimentadas centralidades do período, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios, o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima e o Dr. Clementino de Souza e Castro, que na época era presidente do conselho de intendências da cidade de São Paulo (atual cargo de prefeito), tiveram a visão de fazer nessa região o maior e mais importante empreendimento imobíliário de São Paulo.
A casa de n. 117 de Elias Calfat é hoje o Centro Empresarial G. V. no numero 542. a casa de numero 142 pertenceu a Arthur Guimarães, onde hoje fica o Cond Edifício Barão do Rio Branco, n. 575, o  Instituto Pasteur foi fundado por iniciativa privada em 5 de agosto de 1903 como uma instituição particular e altruística e por fim, a casa das Rosas, uma das 4 casas que restam até os dias de hoje.

Eles mesmos já possuiam muita terra na região, no entanto, algumas aquisições ainda precisaram ser feitas, começaram por adquirir dois lotes de terra na rua Real Grandeza, prorpiedade de José Coelho Pamplona e Maria José Paim Pamplona, registrada no dia 15 de fevereiro de 1890 por rs 10:000$000 (super unidade monetária adotada na época da grand inflação de 1860 a 1940, pronuncia-se dez contos de réis) no bairro da Bela Sintra, na freguesia da Consolação, trecho que vinha da Consolação e descia pela rua Itapeva, até a rua Paim dos dias de hoje, depois disso, nos dias 10 e 22 de março de 1890 adiquiriam mais alguns lotes de João Pinto Gonçalves e Randolfo Margarido da Silva ao redor da mesma rua, a importante rua Real Grandeza.
Esse mapa resume a evolução imobiliária da av. Paulista dos anos 30 até hoje, repare que ocupação quase que 100% habitacional deu lugar a diversas atividades econômicas e sociais.

Assim seguiram comprando, adiquriram algumas dezenas de lotes até que em menos de dois anos, já tinham toda área necessária para o dar início ao empreendimento, que ia da atual Rua Minas Gerais, em Higienópolis até o bairro do Paraíso, com lotes numerdados que iam de 1 a 200 (mais tarde veremos que o sentido numérico da avenida mudou, passou a iniciar-se no Paraíso com fim na rua da Consolação).

No dia 8 de dezembro de 1891 a Avenida Paulista foi inaugurada.

Casarões 
Trecho entre a Alameda Casa Branca e Al Campinas, na foto de baixo a esquerda, vemos uma reconstituição do que seria uma clareira na mata do Ka'á Guatá em meio a bicada principal, com um acampamento de nativos - essa trilha mais tarde viria a se chamar Rua Real Grandeza, que por sua vez se transformaria na atua Avenida Paulista.
Um dos passeio mais legais das classes ascendentes nos anos 20~50 era ir até a avenida Pluista de carro, iniciar na estatua de Olavo Bilac, seguir até o fim da avenida, no bairro do Paraíso, abastecer no Posto de Gasolina Atlantic que ficava na Praça Oswaldo Cruz e regressar vendo, com a família, casa por casa.
Casarões do trecho que corresponde a Alameda Campinas à Pamplona, casas de número 112 de Otto Weisflog, hoje agência do Banco Safra n. 1063 - , número 110 casa de Thomas Muir serviu como residência oficial do consul da Alemanha, hoje dá lugar ao Edificio João Salem 1079; Casa de n. 108 de Francisco Alberto Pereira, hoje deu lugar ao prédio do Citibank.

A avenida seguia padrões urbanísticos relativamente novos para a época, seus palacetes possuíam regras de implantação, como conjunto, nos memsmos moldes dos Alphavilles que viriam depois nos anos de 1970~80.
A casa número 98, do Sr, Nagib Salem, que tinha comércio de tecidos e armarinho na rua 25 de março, deu lugar hoje ao número 1313, o famoso e importante prédio da FIESP, onde empresários manifestam seus interesses; A casa de n 89 do Sr. José Borges de Figueiredo, um dos sócios do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima que o ajudou na aquisição de chácaras da região. Em um desses terrenos, mandou erguer, em 1897, sua residência, hoje dá lugar ao Edifício Paulista no número 1100
Os novos palacetes incorporavam os elementos da arquitetura eclética, fazendo da avenida uma espécie de museu de estilos arquitetônicos de períodos e lugares diversos, foi a primeira via pública a ser asfaltada em São Paulo no ano de 1909, com material importado da Alemanha, uma novidade até na Europa e nos Estados Unidos.

Antes dos automóveis e bondes elétricos, a avenida teve problemas com poluição. Logo depois da inauguração vieram à tona leis que desviavam o tráfego de muares e animais de carga devido ao grande volume de esterco depositado na via carroçável, cena completamente incompatível com a elite  que pagou alto para ter padrão de vida luxuoso - o poder público não dava conta de limpar todo aquele esterco, foi então que tiveram a idéia de desviar o transito pela ladeira da alameda Santos e o excremento rolava ladeira abaixo.

Esse perfil estritamente residencial da avenida permaneceu até meados da década de 1950, quando o desenvolvimento econômico da cidade levou os novos empreendimentos comerciais e de serviços para regiões afastadas do seu centro histórico.

Casarões que ainda sobrevivem
Ainda restam 4 casarões

Em julho de 2013 com a demolição do Casarão da década de 1960 que ficava no numero 1373 entre a Pamplona e a Casa Branca, restaram apenas 4 das casas residenciais da antiga Paulista:

-A casa numero 1919 de Joaquim Franco de Melo, construída em 1905 já foi alugada para vários fins, o mais legal deles foi o Espaço Odeon do empresário Arnaldo Waligora em meados dos anos 1990. Em 2019, mais um passo rumo ao fim do litígio que já dura mais de 20 anos entre a família e o CONDEPHAT foi dado a favor da família. Em péssimo estado de conservação, periga ir para as mãos da secretaria da cultura;

-Conhecido pela decoração natalina, o casarão em estilo neoclássico de número número 1811, que já foi uma agencia do Bank Boston e Banco Itaú, tem encantado agências de publicidade, seus clientes e, principalmente, os visitantes, que finalmente tem a oportunidade de conhecer esta maravilhosa casa por dentro;

-A casa de n. 709 da família Sadocco, foi a primeira a alugar para fins de entretenimento, o McDonald's dos anos 1990. Depois disso passou a ser a Agencia 1784-Bela Paulista do Banco Santander;

-A casa das Rosas, n. 37, tombada em 1985 pelo CONDEPHAT, é hoje o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Casa de estilo francês quw pertenceu a filha de Francisco de Paula Ramos de Azevedo e o casarão mais famoso e visitado da Paulista.

O Primeiro Prédio
Casarões entre a Augusta e a Frei Caneca dão lugar ao primeiro prédio da Paulista
Acreditava-se que o primeiro prédio da Av paulista fosse o Edifício Anchieta, no atual número 2584 de 1941 mas conforme pesquisa de José Vignoli, descobriu-se que o Prédio Avenida, chegou antes.

Construido antes de serem permitidos prédios na avenida pela Lei Municipal 3.571 de 7 de abril de 1937, o Prédio Avenida surgiu no espaço das casas de número 37, 39 de Nahar Soubhia e do número 41 de Gabriela Dumont Villares. Infelismente o predio foi demolido no início da decada de 1970 para a onstrução do Edificio Avenida, que posteriormente, recebeu o número 2000 da Avenida Paulista, com projeto de Mauricio Kogan de 1975 foi inagurado em julho de 1979.
Construido antes de serem permitidos prédios na avenida, que só ocorreu depois da Lei Municipal 3.571 de 7 de abril de 1937, o Prédio Avenida surgiu no espaço das casas de número 37, 39 de Nahar Soubhia e do número 41 de Gabriela Dumont Villares. a casa de n. 45 de Rodolfo Crespi dá lugar ao so prédios da Caixa Economica Federal, Cetenco Plaza (em mediações) no numero 1842, seu vizinho, Herculano de Almeida Prado, n. 51 é hoje o Banco Central do Brasil, no n. 1804, a frente a casa de numero 52 de Joaquim Franco de Melo, uma das 4 casas que ainda restam na avenida.

O Último Bonde

Para falar do ultimo, temos que mencionar o primeiro, no caso o bonde elétrico da “Light” – São Paulo Tramway, Light & Power Company colocado em operação no ano de3 1900 para substituir  os anteriores, movidos a 'tração animal de burro'. Sua vida foi relativamente curta, no dia 27 de março de 1968 quando uma movimentação pouco usual agitava a capital paulista, o então prefeito municipal dirigia-se junto a uma grande comitiva de políticos, assessores e convidados para um evento de despedida: Aconteceria a última viagem de bondes da Cidade de São Paulo.
Construido antes de serem permitidos prédios na avenida, que só ocorreu depois da Lei Municipal 3.571 de 7 de abril de 1937, o Prédio Avenida surgiu no espaço das casas de número 37, 39 de Nahar Soubhia e do número 41 de Gabriela Dumont Villares. a casa de n. 45 de Rodolfo Crespi dá lugar ao so prédios da Caixa Economica Federal, Cetenco Plaza no numero 1842, seu vizinho, Herculano de Almeida Prado, n. 51 é hoje o Banco Central do Brasil, no n. 1804, a frente a casa de numero 52 de Joaquim Franco de Melo, uma das 4 casas que ainda restam na avenida.

Tão populista como qualquer outro político, Faria Lima faria da derradeira viagem de bonde, um evento festivo que seria comentado e lembrado por muito tempo. Afinal, lentos, problemáticos e deficitários os bondes não deixariam – naquele momento – saudades na grande maioria da população.

Os bondes foram planejados para serem extintos na gestão do prefeito anterior, Prestes Maia, entretanto dificuldades para a plena substituição do serviço de maneira eficaz atrasaram o projeto para o próximo mandatário.

O último Bonde da Avenida Paulista
Chegada a hora, a festividade agitou a Vila Mariana bem diante do prédio do Instituto Biológico, ponto inicial da então última linha sobrevivente de bondes da cidade, a ˝Instituto Biológico – Santo Amaro˝. Ao todo um cortejo composto de 12 bondes partiria dali até seu ponto final, com eventos previstos nas paradas do Brooklin e Piraquara, com chegada ao fim do trajeto prevista para às 20:00hs.

O Metrô Chega a Paulista

A Linha 2–Verde do Metrô de São Paulo foi a terceira linha construída ( a segunda foi a atual Linha 3–Vermelha) que inicia nas estações Vila Madalena e segue até a Vila Prudente. A linha é também chamada de Linha da Paulista, por percorrer toda a extensão da Avenida Paulista.

As obras da Linha 2 foram iniciadas em 30 de novembro de 1987, sendo o primeiro trecho, localizado sob a Avenida Paulista, construído por meio do método NATM  ( sigla para New Austrian Tunnelling Method - novo método de Tunelamento Austríaco ), o que exigiu sofisticadas adaptações de engenharia por causa da complexidade de diversos trechos que corta. Uma delas foi em dois prédios na esquina das ruas do Paraíso e Maestro Cardim, que tiveram seus pontos de apoio alterados, com partes dos prédios ficando suspensas por placas de concreto e aço, sem que seus moradores percebessem.

A linha foi inaugurada em 25 de janeiro de 1991 contando naquele momento com 2,9 quilômetros de extensão e quatro estações.

Parque do Trianon, último remanescente do que foi o grande Ka’á Guatá

O Parque do Trianon, uma área de 4,86 hectares (48.600 m2) coberta com árvores da mata atlântica, sempre foi um dos pontos mais elegantes da cidade, é o único trecho de mata nativa da antiga floresta do Ka’á Guatá que nos resta, porem, quase que o parque não chegou até os dias de hoje.

O seu pior momento foi em 1914, quando quase foi tranformado em reservatório de água, más os vereadores Ernesto Goulart Penteado, Raphael Archanjo Gurgel e Andnesto Baptista da Costa, membros da Comissão de Obras da Câmara, emitiram parecer contrário à transformação, alegando de forma quase premonitória ao aquecimento global que “o clima de hoje não é mais o de outrora” e “não há quem ignore os males ocasionados pela devastação das matas nos arredores da capital”. Constatavam, ainda, que “as águas têm diminuído a olhos vistos, a salubridade pública tem sofrido com esse mau hábito da destruição das matas”.”.
A Mansão Matarazzo foi construída em 1896, pelo conde Francesco Matarazzo,o patriarca da família.no atual número 1230 da Avenida Paulista, na esquina com a Rua Pamplona. O palacete de estilo neoclássico, com área de 4.400 metros quadrados num terreno de doze mil metros quadrados de jardins. Contava com dezenove quartos, dezessete salas, três adegas. A Mansão Matarazzo foi tombada em 1989, a contragosto da família, numa polêmica disputa judicial entre os Matarazzo e a Prefeitura de São Paulo, de Luiza Erundina, que pretendia instalar no imóvel o Museu do Nordestino. Dividida, parte da família se recusou, dizendo que se tivessem que homenagear alguma instituição que fosse o empreendedorismo próprio, e passou a exigir uma indenização milionária, diante do impasse, num triste ímpeto, um membro membro da família tentou implodir o imóvel durante uma madrugada, por meio de uma bomba colocada no porão do edifício, destruindo parte deste importante pináculo. Embora  não tenha derrubado a casa inteira, comprometeu seriamente sua estrutura, o projeto do museu não foi adiante e, em 1994, a família conseguiu reverter o tombamento, reavendo a mansão. O terreno foi vendido à Cyrela Commercial Properties e a uma empresa do grupo Camargo Corrêa, por 125 milhões de reais, que no local construiu o Shopping Cidade São Paulo.

O empresário uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, responsável pela abertura da Avenida Paulista, ficou impressionado com a beleza da vegetação, no meio da nova via, e decidiu conaservar o trecho de mata nativa para fazer um parque. O nome do local escolhido indicava sua principal característica: Alto do Caaguaçu.

O empreendedor contratou o paisagista francês Paul Villon, responsável por jardins do Palácio do Catete, então sede da Presidência da República, no Rio de Janeiro, e por praças em Belo Horizonte.
A floresta do Ka’á Guatá, que já foi o principal ponto de caça de nossos ancestrais nativos mudou muito nos últimos 500 anos,  Infelizmente, os únicos Indios que restam hoje na densa mata do Ka’á Guatá são os pintados na tela do artista italiano Agostino Brunias (c. 1780) em exposição no MASP.

O parque foi aberto ao público em 3 de abril de 1892, um ano após a inauguração da Avenida Paulista. Três dias depois, o jornal O Estado de S. Paulo recomendava: “àqueles que ainda não visitaram o belo lugar, aconselhamos que o façam, certos de que empregarão seu tempo num passeio delicioso”.

Entretanto, em 1918 o arquiteto inglês Barry Parker, que estava na cidade a serviço da Companhia City para urbanizar um bairro em construção na zona oeste, o Jardim América, fazia críticas. “Esse parque não era mais do que um pedaço de floresta primitiva em sua glória natural, com exceção de algumas trilhas sinuosas que foram dispostas entre as árvores”, diz no livro Two Years in Brazil (Dois Anos no Brasil), em que conta suas experiências em São Paulo. Segundo Parker, o local praticamente não era utilizado pelo público, sendo possível “passar e repassar por ele na Avenida Paulista sem sequer se aperceber de sua existência”.

Com a sua chegada, o Belvedere Trianon, em frente ao parque, tornou-se um dos pontos de encontro da elite política, econômica e intelectual da cidade. O sucesso foi tanto que o parque passou a ser conhecido como Parque do Trianon e, depois, simplesmente Parque Trianon.

A Prefeitura de São Paulo, com apoio da CMSP, comprou em 1911 o parque e contratou Barry Parker para reformá-lo. Segundo o urbanista, era necessário um esquema que combinasse o local ao Belvedere Trianon, em uma composição arquitetônica que abrisse o parque e o tornasse “utilizável sem destruir nada de sua beleza natural” e ainda fizesse dele e do belvedere “a decoração para a Avenida Paulista”.
Com o propósito de eliminar os muitos elementos de conflito no visual da avenida, João Carlos Cauduro e Ludovico Martino padronizaram as placas de sinalização, além de medidas como enterramento da fiação elétrica e telefônica. Nos anos 60 ~ 70  o sistema de grandes prismas verticais negros (os totens de sinalização) era inovador, com a disposição da sinalização estudada para orientação de pedestres e de veículos; com os sinais para pedestres marcados até a altura de 2,50 metros de altura, informações de média distancia até 3,50 metros de altura e acima disto a sinalização de longa distancia para os veículos da via, os semáforos foram embutidos nos prismas e o totem propiciava a colocação de placas de transito.

Durante a reforma, Parker construiu uma pérgula na entrada para combinar com o belvedere do outro lado da Avenida Paulista e derrubou árvores. O corte foi necessário para que quem estivesse no parque pudesse ver melhor o bairro Jardim América, justificou o arquiteto.

A medida foi muito criticada pela imprensa. “Para que se cortam árvores e arbustos no lindíssimo bosque, único verdadeiramente rústico da cidade? Será para alindá-lo transformando-o num jardim inglês?”, questionou um cronista do jornal O Estado de S. Paulo, que assinava apenas a letra P. Ele acuse observar um panorama) batizado de Trianon. Com projeto do escritório do renomado arquiteto Ramos de Azevedo, no local funcionavam um restaurante de luxo, uma confeitaria, espaços para festas e uma escola de dança de salão para moças e rapazes.
Pergolas do Trianon c.1920, Ao lado do Belvedere no n. 69 existia o Observatório Astronômico de São Paulo, e mais adiante a casa de se administrador Sr. José Belford de Matos, no n. 71, 

A Prefeitura de São Paulo, com apoio da CMSP, comprou em 1911 o parque e contratou Barry Parker para reformá-lo. Segundo o urbanista, era necessário um esquema que combinasse o local ao Belvedere Trianon, em uma composição arquitetônica que abrisse o parque usou a Prefeitura de estar cometendo um “atentado de lesa-natureza”.
O Belvedere Trianon e o MASP de Lina Bo Bardi se tornaram ícones da cidade de São Paulo. O famoso vão livre, e as obras de arte fazem do museu o icone da Avenida Paulista
O Belvedere Trianon tornou-se um dos pontos de encontro da elite política, econômica e intelectual da cidade (Belvedere, significa "bela vista" em italiano,) dava ao visitante um vista privilegiada do Centro de São Paulo especialmente do Vale do Anhangabaú. Nele havia um restaurante, o Trianon, que possuía bar, salões de festa, vestiários e o já citado maravilhoso terraço que dava vista para o Vale.

Durante muitos anos foi o centro da vida social da cidade, todo o tipo de solenidades ocorriam nele, homenagens políticas, foi ponto de partida e chegada da primeira corrida de São Silvestre, la era celebrado o carnaval, más com o passar dos anos foi perdendo o glamour, passou a ter um bar mais popular e um salão de danças foi instalado no restaurante, já no início dos anos 30 o espaço começou a entrar em decadência e ficou em péssimo estado de conservação até que Joaquim Eugenio de Lima doasse a prefeitura, pedindo apenas que, o que quer que fosse construído lá, continuasse com a vista.

Em 1931, o local recebeu oficialmente seu nome atual: Parque Tenente Siqueira Campos, em homenagem a um dos líderes do movimento tenentista, tendo participado da Revolta do Forte de Copacabana, da Revolução de 1924 e da Coluna Prestes. O tenente Antônio de Si- queira Campos, paulista de Rio Claro, havia morrido em 10 de maio de 1930 em um acidente aéreo quando voava de Buenos Aires para São Pau- lo. O nome, contudo, nunca pegou. Tanto que a estação de metrô perto do parque se chama Trianon Masp.

O parque passou por mais uma reforma em 1968, quando o prefeito Faria Lima contratou o paisagista Roberto Burle Marx e o arquiteto Clóvis Olga para que fizessem melhorias no local. Eles substituíram a ponte de madeira que ligava as duas quadras do parque, separadas pela Alameda Santos, por outra de concreto, alargaram as alamedas internas e as pavimentaram com pedras portuguesas em forma de mosaico.

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A recosntituição da Av. Paulista dos anos 30 só foi possóvel por conta das animaçoes 3D de Macos Vinicius Uchoa, vale muito a pena ver seu canal no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=eQe_G1XQk8U )

https://www.facebook.com/…/a.10156723918…/1244065289011955/…
Fotos da Internet e IAG-USP.

https://apoia.se/oquevernoceu-astronomia
Isto irá ajudar a aumentar o conteúdo científico das páginas: O que ver no céu - astronomia, Estação Espacial Internacional - International Space Station, Galeria do Meteoro e Astronomia Agora

Jardim América: o primeiro bairro-jardim de São Paulo e sua arquitetura. Silvia Ferreira Santos Wolff (Edusp, 2001).
Avenida Paulista: a síntese da metrópole. Vito D’Alessio (Dialeto, 2002). Avenida Paulista: imagens da metrópole. Maria Margarida Cavalcanti Limena (Educ, 1996).

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* Correio Paulistano – Edição de 29/05/1938 pp 13
* Correio Paulistano – Edição de 18/10/1942 pp 8
* Diário da Noite – Edição de 29/08/1949 pp 6
*O Cruzeiro – Edição ? – Ano 1943
* Conjunto Nacional – A Conquista da Paulista – Iacocca, Angelo – Ed. Fundação Peirópolis LTDA 1998
* São Paulo – Spala Editora – RJ 1979/92
* Álbum Iconográfico da Avenida Paulista – Lima de Toledo, Benedito – Ed. Ex Libris 1987
* Diversas listas telefônicas antigas
* Rino Levi, Arquitetura e Cidade – Anelli, Renato e Guerra, Abílio – Ed. Romano Guerra 2001





sábado, 11 de julho de 2020

Triângulo Histórico de São Paulo, o coração da América Latina

O Triângulo Histórico de São Paulo, área que compreende a Praça da Sé, o Largo São Francisco e o Largo São Bento 
Segundo o historiador Jaime Cortesão, São Paulo é considerada a capital geográfica do Brasil, sua localização foi imensamente importante na diâmica de nosso povo ancestral de 10.000 atrás, que se locomovia a pé e até os dias de hoje também, por meio de navegação pluvial, interligando-se as 6 principiais bacias hídricas do continente, a do Paraná, Tieté, Patagônica, São Francisco, Amazónica e do Orinoco. Ainda hoje a localizaçao de São Paulo resguarda grande importancia estratégica, não é a toa que se transformou nessa grande e importante cidade.
A o Triângulo Histórico da cidade de São Paulo mudou muito desde sua fundação em 1554. Em 1930 com a construção do Edifício Martinelli começou a era dos altos edifícios e hoje conhecido popularmente como 'Centro Velho' -  2020
Esse ‘centro geomântico’, parafraseando Carlos Castañeda, dá acesso a quatro trilhas pré-históricas. Lendas indígenas contam que essas trilhas foram abertas por gigantes deuses como o Mapiguarí, esse postriormente identificado como o megatério, também chamado de preguiça gigante, nos deu a pista de que tais deuses provavelmente foram na verdade animais extintos da megafauna americana, alguns deles conviveram com humanos antes de se extinguirem, tais como os xenorinotérios e gliptodontes.

Triângulo Sagrado e histórico no ano de 1590, a aldeia de Tibiriçá já estava abandonada, enquanto a cidade crescia a partir do Pátio do Colégio - as trilhas p're-historicas se transformam em ruas com nomes portugueses   
Tibiriçá foi o ultimo grande líder espiritual indigena do Triângulo Sagrado de Piratininga, que os Tupiniquím defenderam bravamente contra constantes ataques de Tupinabá e outras aldeias inimigas, uma colina que se elevava entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, e tinha como centro a pedra careca, o Inhapuambuçú (do Tupi-Antigo i(nh)apu'ãm-busú o grande cume ou y(nh)apu'ãm-busú o grande ponto do rio), que se vê de longe como "a proa dessa nau triangular",  pedra que existiu ao lado do atual Mosteiro de São Bento más que infelizmente foi aterrada para dar vazão à rua Prestes Maia.
principiais bacias hídricas do continente, a do Paraná, Tieté, Patagônica, São Francisco, Amazónica e do Orinoco
O Rio Anahngabaú, ou rio do deus Anhangá que desenboca no Piratininga (continuação do Tamanduateí), era alimentado pelo córrego do Itororó, que desce da maravilhosa floresta do Ka'aguatá (Avenida Paulista), rio que nascia no bairro do Paraíso, próximo de onde é hoje o hospital Santa Catarina e descia pela Avenida 23 de Maio. A linda mata do Anhangabaú era sagrada, só podia ser visitada pelo xamã para fins ritualísticos, pois era o lar do Anhangá, o deus Tupi das Caças e da natureza, comumente retratado como um veado branco, de tamanho atroz, com olhos vermelhos da cor de fogo. Ele é o protetor da fauna e flora, persegue todos aqueles que caçam de forma indiscriminada, desrespeitam a natureza e pune quem caça filhotes ou matrizes que estão nutrindo suas crias, vbem como punem aqueles que poluem suas águas, saiba mais  canalizando o rio, como também nos esquecemos do espírito mor de nossa cidade. Desprezarmos nossas tradições tupiniquins dessa forma é imperdoável!

Já os rios Piratininga e Tamanduateí à continuação, eram assim chamados pelos habitantes pois Piratininga em Tupi-Antigo significa peixe seco e Tamanduá te y, é rio dos Tamanduás - esses nomes foram dados porque nesse ponto alagadiço, a antiga varzea do Carmo, costumava oscilar em nivel de água, com isso, muitas vezes os peixes morriam ao sol atraindo formigas, que por sua vez atraiam os tamanduás.

Quanto às trilhas, se dividiam em quatro grandes, que tinham como ponto de partida a aldeia de Tibiriçá, que partir de 1554, passou a sair da grande porta da fortificação inicial dos Jesuítas;

As trilhas ancestrais foram fundamentais para a dispersão Tupi no Brasil
-A primeira dessas quatro trilhas, foi o chamado “Caminho da Fonte”, dava asscesso à Serra do Mar, um maciço que separa o planalto de Piratininga do litoral com elevação de 800m, da qual diversas trilhas desciam a serra, entre elas a trilha de Paranpiacaba, a estrada do Lorena e a via Anchieta; 

-A segunda é trilha do Piqueri, atual rua Quinze de Novembro, em direção ao Rio Tietê via Ponte do Piqueri, de lá podia-se partir em direção ao vale do rio Paraíba do Sul até chegar ao Rio de Janeiro, hoje é conhecida como via Dutra; 

-A terceira era o “Caminho do Ibirapuéra” que deu origem à atual rua Quintino Bocaiuva, saia em direção à Av Brigadeiro Luiz Antonio até chegar à grande mata de Ka’a Guaçú, o espigão montanhoso central de Piratininga (hoje espigão das avs. Paulista, Dr. Arnaldo e Cerro Corá) descendo pelo parque o Ibirapuera, e por fim, essa mesma trilha, tinha uma bifurcação no rio Pinheiros que levava à famosa trilha do Peabirú, que tinha como destino final a civilização mais elevada da época, o império Inca no Perú; 

-A quata trilha, o “Caminho de Pinheiros”, parte da atual rua José Bonifácio Consolaçao Doutor Arnaldo Euzebio Matoso, interligando-se também com o Peabiru.

A trilha do Peabiru, que saia de três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.
A trilha do Peabiru

A Trilha do Peabiru e a lenda que a cerca contada pelos Carijós, os chamados 'O Melhor Gentio da Costa', inspirou os europeus em sua busca frenética por riquezas e ouro. 

Peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado) era o nome dado aos antigos caminhos utilizados pelos indígenas sul-americanos, desde a pr-historia, em intricada rede de conexão de todo o conesul.

A trilha do Peagirú em sí tinha três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.

Empolgado com essa historia, e, 1526 Aleixo Garcia liderou um grupo com 2000 Carijós, levando farinha de pinhão e mariscos secos e mel em direção ao Peru, chegando a 150 km de Potosi, na Montanha de Prata, que deu origem à lenda da Montanha da Lua, lá eles entraram em guerra com o império Inca, saquearam e fugiram carregados de metais preciosos saiba mais 

Tibiriçá ficou famoso por acolher em sua aldeia o primiero paulista, João Ramalho, um possível naufrago português que se casou com Bartira, filha do morubixaba. João Ramalho aprendeu o Tupi e conquistou o respeito do povo ancestral, Tomé de Siouza, governador da capitania de São Paulo dizia que João Ramalho, caminhava 90 km em um só dia, tinha um exército de 5.000 homens, em sua grande maioria refens de tribos beligenrantes e era muito atarefado, subia e descia pelas diversas trilhas que partiam da aldeia, principalmente depois da chegada dos Jesuítas.
Fundação de São Paulo

A Villa de Piratininga, que ja tinha sido estabelecida em 1532 pelo Almirante Dom Martim Afonso de Souza, Vice Rei das Índias e Donatário da Capitania de São Vicente e São Paulo, aforada em 1534 por D. João III O Piedoso, e ratificada em 1553 por Tomé de Souza 1º Governador Geral do Brasil, foi posteriormente transferida, acolinada e Renomeada em 1554 pelo Vice-Provincial Jesuíta Manoel de Nóbrega como Villa de São Paulo de Piratininga. Como se ve em texto antigo, a fundaçao do colégio e postriormente vila de Piratininga era um projeto de parceira publico-privada de carater religioso, a fundação do colégio de Manoel da Nobrega e José de Ancheta era de importancia pivotal para a catequização, pois serviria junto com o émbaixador’João Ramqalho, de ponte cultural com a aldeia de Tibiriçá e posteriormente outras aldeias. 

Em 1549, logo após a aprovação da Companhia de Jesus em Roma, o Padre Manuel da Nóbrega partiu de Lisboa na armada de Tomé de Souza juntamente de cinco companheiros para conduzir as Missões Portuguesas do Ocidente. Em 1553, após formar as primeiras missões brasileiras na Baía de Todos os Santos, onde primeiramente aportou, seguiu em direção à Capitania de São Vicente onde percorreu o litoral sul do Brasil colonial. Em seguida, subindo a Serra do Mar, Nóbrega liderou a fundação da Aldeia de Piratininga e nela implantou o Colégio de São Paulo possibilitando o início das entradas para o interior do continente.

A parte mística-religiosa desse projeto teve início no dia 29 de agosto de 1553, dia da degolação de São João Batista, por conta de cálculos precisos que os Jesuítas vinham fazendo para fundarem seu colégio no dia de São Paulo, 25 de janeiro. A localização também deveria ser pré-estabelecida de acordo com regras dogmáticas, que deveria ser edificada em acrópole, exatamente no interior do triangulo histórico, os jesuitas entenderam que esse local que já era considerado o mais sagradao pelos ‘índios’ deveria ser também o mais sagrado dos Cristãos. 

Conforme relata o historiador Alan de Camargo, lá representou e ainda representa a continuidade e renovação permanente da sagrada esperança do povo europeu cristão de várias nacionalidades e etnias, que buscou em terras distantes e selvagens satisfazer os seus profundos anseios de liberdade e prosperidade, arriscando sua própria vida no batismo do Maris Oceani Tenebrosum (o grande Atlântico!) e nos perigos das densas matas infestadas de feras, pestes, traficantes e... canibais! sob a égide da Cruz de Cristo, se uniram em fraternal comunhão, incluindo os nativos aliados Tupi-Guaianás, para plantar as preciosas sementes de Salvação e Civilização Ocidental Greco-Romana trazidas em suas pobres e sofridas bagagens, valores culturais que germinariam a singular e arquetípica Civilização Cristã Paulista.

O Anhagá, grande deidade Tupiniquim de São Paulo foi apagada da historia 
A Expansão de São Paulo

No final dá década de 1590 foram descobertas as primeiras minas de ouro, prata e ferro nos arredores da vila, nas serras do Jaraguá, Guarulhos, Voturuna, Araçariguama e outros locais mantidos em segredo. Os fatos que ocorreram sem seguida foram de grande importância para o crescimento da vila de São Paulo.

Ainda nessa década a vila já tinha 150 habitantes, o Páteo do Collegio foi fortificado em frente a já abandonada aldeia de Tibiriçá. Os fncionários da câmara e demais pessoas que chegavam para a empreitada de Portugual já não tinham mais onde morar dentro das muralhas dos Jesuitas, foi então que a expansão fez perder o medo de ataque e morar fora da área protegida. 

A primeira rua aberta fora dos muros da vila deve ter sido a rua de São Bento por apresentar as melhores condições de aproveitamento dos lotes. Estes foram demarcados com frentes de duas e três braças e profundidade de vinte e trinta braças. A rua seguiu por um terreno absolutamente plano, desde o caminho do Piqueri até o caminho de Pinheiros, deixando de um lado a aldeia abandonada de Tibiriçá e do outro a encosta do vale do Anhangabaú. A solução foi a mais favorável para os usos da época pois permitia que as casas fossem construídas no alinhamento da rua e os quintais tivessem o escoamento das águas para o fundo do lote.
Essa seria a vista da Praça do Mosteiro de São Bento se a montanha sagrada do Inhapuambuçu ainda existisse. Historiadores discutem a hipótese de que os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas decidiram aterrar esse importante marco religioso da aldeia de Tibiriçá no Triângulo de Piratininga para apagar todo e qualquer vestígio da religião ancestral indígena.
Na mesma ocasião foi aberta a atual rua Direita que teve esse nome desde a sua origem, pois percorreu um antigo caminho que ia “direito” da ermida de Santo Antonio para a vila. No cruzamento com a rua de São Bento formou um ângulo reto o que leva a crer que o profissional responsável, em geral um carpinteiro, utilizou a bússola na sua demarcação.

No final do século XVI, atraídos principalmente pela ação missionária, outras ordens religiosas se estabelecem em São Paulo. Dentre elas podemos destacar os:

-Os Carmelitas (1594) Os carmelitas foram a quarta ordem religiosa a chegar no Brasil, e, na região paulista, os primeiros frades desembarcaram nos idos de 1592, no porto de Santos. Nesse mesmo ano, surgiu neles o “pensamento de fundar um convento na povoação que começava em Cima da Serra“. O fundador de Santos, Braz Cubas, se tornou um grande amigo dos carmelitas, e doou a eles dois grandes terrenos – um no litoral, e outro nas terras de Piratininga (atual São Paulo);
Tibiriçá e João Ramalho discutem o futuro da Vila de São Paulo de Piratininga sob a magia das estrelas com a montanha sagrada do Inhapuambuçu ao fundo c.1556 - Com a chegada das Ordens Beneditinas, Carmelitas e Franciscanas as tradições ancestrais dos Tupiniquim desaparecem - a  remoção da icônica pedra do Inhapumabuçu representa o esforço de apagar a religião antiga da memória para dr inicio às novas.
-Os Beneditinos (1598) A história dos beneditinos em São Paulo começa em 1598, ano em que chegaram na cidade, quando frei Mauro Teixeira, religioso paulista de São Vicente, levantou uma modesta igreja dedicada a São Bento, com fundos de uma doação realizada pelo capitão-mor Jorge Correia.

-Os Franciscanos (1640) Sete franciscanos chegaram a São Paulo em 1640 por meio de uma caravana. Eles se instalaram em uma casa onde atualmente está localizada a Praça do Patriarca, no Centro Histórico de São Paulo. O terreno que atualmente corresponde ao Largo de São Francisco foi doado pela Câmara Municipal de São Paulo, em 1642, aos frades franciscanos.

Porém estas ordens, apesar de terem também atuado para a conversão dos indígenas, não tinham este como seu principal objetivo, pois vinham ao Brasil para dar apoio aos interesses de colonização e exploração da coroa portuguesa.

Itagenemimética cultural – o dia do Anhangá
Desfile de celebração do dia do Anhangá, 05 de junho, dia mundial do meio-ambiente - celebrando o deus da floresta que protege o meio-ambiente
A aldeia de Tibiriçá é tristemente reconhecida como a primeira abandonar antigos ritos culturais ancestrais para adotar a imposta cultura Portuguesa-Cristã - Como parte do esforço de Itagenemimética, tento resgatar a cultura ancestral indigena. Talvez um dia ainda culturemos o Deus Anhangá em homenágem à nossos antigos acestrais. Tenho uma proposta, ainda tímida de celebrar o dia do Anahgá 5 de junho, dia mundial do meio ambiente – por favor, deixe seus comentários.

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