Cacique Juruna e o gravador, símbolo da etica Tupi (Xavante no caso) Dizem que o brasileiro médio é antiético por natureza — jeitinho, fila furada, promessa de político em ano eleitoral. A piada pronta é culpar "a nossa formação". Só que a formação tem dois DNAs muito diferentes, e a gente anda citando o avô errado. Se herdamos a malandragem, não foi dos que estavam aqui primeiro. O código de guerra que parecia samurai No Brasil de 1500 não havia cartório, mas havia protocolo. Entre os Tupi, a guerra não era chacina aleatória: era um sistema de honra com prisioneiro, canto de morte e antropofagia ritual. Gonçalves Dias não inventou isso em I-Juca-Pirama (1851). Ele romanceou o que cronistas como Hans Staden e depois antropólogos como Florestan Fernandes descreveram: o guerreiro capturado devia morrer bem, porque ao ser comido ele transferia sua coragem ao inimigo. Fugir não era esperteza, era contaminação. No poema, o último tupi pede para cuidar do pai cego e é solto. O moti...
Luiz Pagano - o tupinista refletido na obra de Kahtiri Ēõrõ (espelho da Vida) criada pela artista indígena Daiara Tukano, exposta na 34ª Bienal de São Paulo (2021) é que você podia se ver como uma moçacara (um homem importante entre o povo tupi) refletido usando um manto tupinambá. Em setembro/outubro de 2021, São Paulo vivenciou uma invasão 'tupinista', em uma nova era que começou logo após o fim da pandemia e ofereceu a promessa de uma nova vida com novos propósitos e novas esperanças, especialmente para mim, que já estava fazendo grandes progressos com o cauim contemporâneo, quase 100 anos depois da semana antropofágica de 1922. Depois disso, em fevereiro de 2025, o jardim do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE) recebeu uma ativação artística especial associada ao universo visual e curatorial da MUBI. A proposta foi transformar o espaço do museu em um ambiente imersivo onde cinema, arte contemporânea e cosmologias indígenas se encontravam. No MuBE, você poderia de...