Tudo começou com um gole. Meu paladar infantil sentiu uma repulsa imediata diante daquele aspecto tão estranho e, ao saber que o cauim havia sido preparado com saliva, tive uma enorme vontade de desistir antes mesmo de provar. Mas eu jamais faria uma desfeita àquela gente tão boa e acolhedora. E assim bebi o cauim. Posso dizer que, a partir daquele momento, existiu um antes e um depois do cauim. Senti um turbilhão de emoções, inicialmente muito confusas. Eu trabalhava então na Pernod Ricard, desenvolvendo argumentos e conhecimento no universo da degustação de bebidas, e me lembro de ter comentado com o colega que havia me levado até lá: o sabor inicial era estranho, mas surpreendentemente melhor do que eu imaginava. Se eu abstraísse os problemas decorrentes da exposição a bactérias e de possíveis contaminações, havia naquela bebida um frescor e um umami absolutamente únicos. A percepção foi quase imediata: “Cara, dá para recriar isso como uma bebida para ser colocada no merc...
O primeiro Cauim Tiakau nasceu em 12 de outubro de 2015, e so foi colocado em duas garrafas de cerâmica de baixa queima comprada em Icoaraci. Desde então, cada garrafa marcou uma etapa distinta da evolução do projeto — da espiritualidade à gastronomia de ponta — e hoje já são 92 exemplares espalhados pelo Brasil, caminhando para a garrafa número 100. Linha do tempo das garrafas 2015 – Primeira fermentação (Processo Japonês - Pagano ) - 2 un. No dia 12 de outubro de 2015 preparei o primeiro cauim no estilo japonês. A bebida foi colocada em duas garrafas de cerâmica de baixa queima de Icoaraci, que acabou formando oxalato de cálcio na parte externa. Uma dessas peças foi presenteada ao Rogério Rabbit , bartender santista de ascendência guarani, considerado um dos dez melhores do mundo pela IBA e premiado em Bordeaux em 2007 (3º lugar) e 2008 (2º lugar) . O que é essa Eflorescência? Essa formação branca na garrafa, chamada eflorescência , surgiu de maneira inesperada, mas pode ser um dos...