terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ninguém amou o Brasil como Policarpo Quaresma

♥ o [<O>] - Nacionalista e patriota extremado, Policarpo Quaresma, também é conhecido por todos como major Quaresma é o embaixador deste Blog que visa enaltecer o orgulho de ter nascido na Patria Amada.

Nesta passagem o major Quaresma insiste em que o Tupi-Guarani deveria ser o idioma falado pelo povo Brasileiro.







"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma - usando do direito que lhe confere a constituição, vem pedir que o congresso nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.”



Triste Fim de Policarpo Quaresma é um romance do pré-modernismo brasileiro escrito por Lima Barreto publicados, entre Agosto e Outubro de 1911, na edição da tarde do Jornal do Comercio do Rio de Janeiro.



O clima no Tribunal foi muito tenso:
- Excelência (juiz): Em vista destas considerações, o requerente, Policarpo Quaresma, usando do direito que lhe confere a Constituição vem pedir que o Congresso Nacional, decrete o idioma indígena tupi-guarani como língua oficial do povo brasileiro.
- Isto é um absurdo Vossa Excelência, este homem é um louco!
- Isso é ilegal!
- Vossa Excelência, onde nós estamos? Na casa do povo ou em um Manicômio?!
- Excelência (juiz): Silêncio Senhores! Silêncio!
- Policarpo Quaresma: Excelentíssimo! Chenennhenga jaruçaba. Eu peço a palavra.
- Palavra negada! O senhor não é deputado.
- Palavra concedida. É um cidadão contribuinte. Afinal, isto aqui não é a casa do povo?
- E o senhor é um canalha! Eu vou lhe quebrar a cara.
- Excelência (juiz): Com a palavra, o cidadão Policarpo Quaresma, autor da proposta.
- Policarpo Quaresma: Vossa Excelência, nobres deputados cidadãos brasileiros. A língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo e sua criação mais viva e original e, certamente, a emancipação política de uma nação exige uma libertação idiomática!
- Eu discordo! Língua de índio não liberta ninguém! Não pode ser escrita. Não vai ter mais jornal nem livro.
- Todos: É isso mesmo!
- Excelência (juiz): Silênciooo!
- Policarpo Quaresma: A língua portuguesa é emprestada ao Brasil. A língua tupi-guarani não! É criação dos que viveram e ainda vivem aqui. Por isso é capaz de traduzir as nossas belezas aproximarmos da natureza, adaptando-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais.
- Vossa Excelência, eu por acaso não estou nu. Ninguém nesta sala está nu. Então porque falar a mesma língua desses selvagens?
- Índio: Canalha! Sou descendente dos guaranis che! Meu bisavô era cacique! A influência dos índios e muito positiva para os brasileiros!
- (todos): Ahhh! Senta aí! Fique quieto!
- Policarpo Quaresma: A língua dos índios é a verdadeira língua brasileira! Cupiçaba Nengaopaba. Cupiçaba nengaopaba!!
- (todos): Esse homem é louco! Tirem-no daqui, vá falar língua indígena no hospício!
- Excelência (juiz): Levem-no daqui.
[Enquanto levam Policarpo, ele diz: A língua indígena é língua brasileira! Anguie Pindorama! Sou índio, sou negro, sou brasileiro!]


Cartoon de Policarpo Quaresma por Luiz Pagano


Assim Policarpo entra na historia como Brasileiro que mais ama o Brasil.
Seguro de que a sabedoria dos legisladores saberá encontrar meios para realizar semelhante medida, Blemya ensina aqui a primeira lição – o verbo ser e estar em sua conjugação.


Os verbos ‘ser e estar’ como verbos de ligação, não têm correspondentes em tupi. Junta-se simplesmente o pronome sujeito ao predicado. Êste pode ser substantivo, adjetivo, pronome ou advérbio:


xe marangatu: eu (sou) bom
nde marangatu: tu (és) bom
i marangatu: êle (é) bom
iandé ou ore marangatu: nos (somos) bons
pe marangatu: vós (sois) bons
i marangatu: êles (são) bons

2 comentários:

  1. Este texto foi extraído do roteiro do filme ‘Policarpo Quaresma herói do Brasil’ – Segundo Emerson Costa, estudioso dos idiomas originais de nossa terra, estas frases não são do Tupi Antigo, mas sim língua geral. Percebe-se isso pelo "çupiçaba". "Supi", desde o tupi antigo significa "verdadeiramente", "conforme aos fatos". Na língua geral forjaram "çupiçaba" para traduzir "verdade", "certeza", "moçupi" no sentido de "verificar" etc. http://books.google.com.br/books?id=8tZEAAAAcAAJ&pg=PA78 —, embora no tupi antigo "-saba" e "mo-" não se aplicassem a advérbios e locuções adverbiais, como é o caso de "supi".

    Quanto ao significado… As palavras estão um tanto adulteradas… "Che nennhenga jaruçaba" obviamente começa com "xe nhe'enga", "minha fala" e vem algo substantivado com "-çaba". Ele está pedindo a palavra, então talvez seja o verbo "jár" ("tomar"). Ou, menos provável, talvez seja uma corruptela de "jeruré" ("pedir").

    Quanto ao "çupiçaba nengaopaba", "çupiçaba" é "verdade", como dito acima; o que vem depois talvez seja "nhe'enga", "língua", seguido de "opab(a)", "todos", numa tentativa um tanto atrapalhada de traduzir "a verdadeira língua de todos".

    É importante que se diga que esta fala não é citada na obra original de Lima Barreto - e sim em uma posterior adaptação para o cinema.

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    1. Muito bom, Luiz, tanto a transcrição do roteiro do livro quanto a profundidade e a preocupação em falar sobre os significados da língua Tupi. Era exatamente o que eu estava procurando e só encontrei aqui.

      Obrigado

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