domingo, 5 de janeiro de 2014

Positivismo Brasileiro – Cadê a 'ordem' e o 'progresso' ?

Positivismo Brasileiro 
Em 2014 a republica irá completar 125 anos de idade e as idéias de prosperidade que guiavam nossas esperanças foram simplesmente esquecidas, Auguste Comte é ocasionalmente mencionado nas escolas, as obras do filósofo francês são raramente publicadas no Brasil, os poucos exemplares, quando encontrados nos sebos, são parte de alguma coleção de pensadores do início da década de 1970.

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Talvez o surto de esperança causada pela crença nos poderes da ciência em fazer do Brasil uma nação extremamente avançada tivesse sido um exagero, ou talvez as idéias com implicações científicas e morais vão de encontro com o desejo egoísta de corrupção de nossa classe política.

Como Comte dizia “A fim de garantir o verdadeiro emprego de poder material, devemos imediatamente começar a respeitá-lo em sua forma geral, salvo em casos excepcionais de fraude”.

A filosofia do positivismo se tornou uma religião secular no Brasil e até mesmo igrejas foram criadas ,duas delas existem até os dias de 2014, uma em Porto Alegre e outra no Rio de Janeiro (vale ressaltar que o templo de Porto Alegre, vem sofrendo com a evasao de adeptos e conta hoje com pouco mais de trinta seguidores em todo o estado). A filosofia do positivismo foi fundamental na propaganda para substituir Dom Pedro II.

O positivismo postula a possibilidade de sistematização e explicação de todos os fenômenos, matemáticos ou sociais, estipulando leis constantes fundamentadas na observação.
 
Positivismo de Auguste Comte
Jean-Jacques Rousseau é muitas vezes apontado como o filósofo da Revolução Francesa. Robespierre levou a idéia da soberania e da virtude radical como o grito de unidade para a revolução. Mas foi no Brasil, de maneira radicalmente diferente, que a revolução de império para república, com o positivismo de Auguste Comte parecia ter o potencial de nos levar a uma posição privilegiada dentre todos os outros países do mundo.

A inscrição "Ordem e Progresso", sempre em verde, é uma forma abreviada do lema político positivista de Comte: O Amor por princípio, a Ordem por base; o Progresso por fim (em francês: "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but").


Euclides da Cunha, aluno de Benjamin Constant, declarou: "O lema da nossa bandeira é uma síntese admirável do que há de mais elevado em política"

“Viver para os outros, a fim de viver de novo nos outros e por outros”, com essas palavras Comte resume muito de sua filosofia ao afirmar que quanto mais e melhor fizer por seu sistema, mais será lembrado e mais influenciará, dessa forma, sua memória ficara viva por mais tempo na sociedade.

Na Igreja Positivista presta-se culto de adoração à "Trindade Positivista", que é composta por:

- Nouveau Grand-Être Suprême "Humanidade" ou "Grande Ser" (entidade coletiva, real e abstrata, formada pelo conjunto de seres humanos convergentes do passado, do futuro e do presente, que contribuíram para o progresso da civilização);
- The Grand Fétish "Grande Fetiche" (o planeta Terra com todos os elementos que o compõe: vegetais, animais, água, terra etc.) ;
- The Grand Milieu "Grande Meio" – (o espaço, os astros, o Universo).

Correspondência entre as estrelas e as unidades da federação

Tudo em nosso símbolos foi baseado em aspectos lógicos e com propósitos bem definidos, inclusive as estrelas em nossa bandeira. Cada astro representa as diferentes personalidades dos estados da federação:

- As estrelas do Cruzeiro do Sul representam os cinco principais estados de então: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo;

- A estrela Espiga, única situada acima da faixa branca, representa o Estado do Para, talvez porque Belém, capital do estado, fosse a mais setentrional do país, ou porque o estado do Pará tivesse sido o último estado da federação a aderir à Independência;

- O Distrito Federal sempre foi representado pela estrela sigma da constelação do Oitante, também chamada de Polaris Australis ou Estrela Polar do Sul, Sigma Octantis tem uma posição única no céu do hemisfério sul, pois os demais astros parecem girar a seu redor.

O Pós-Positivismo – ignorado pelos brasileiros

Após a Segunda Guerra Mundial o mundo inteiro se viu aterrorizado com a força e o poder que foram conferidos a alguns governantes que, a partir do mau uso dos seus cargos representativos, se valeram da juridicidade oferecida pelo positivismo para a instalação de governos de opressão e discriminação.

Era impossível continuar com um discurso jurídico que pregava uma lei rígida, inflexível, altamente coercitiva e desprovida de carga moral; um Judiciário meramente mecânico e um Legislativo com total liberdade para “fabricação” daquele tipo de norma.

O pós-positivismo surge numa tentativa de restabelecer uma relação entre direito e ética, pois busca materializar a relação entre valores, princípios, regras.

Quando o povo brasileiro percebeu que as forças que formaram a sua republica cair em descrédito, preferiu simplesmente negar o positivismo em toda sua essência, ao invés de aceitar apenas os bons valores da doutrina, ou a adotar o que foi chamado de pós-positivismo.

Para Karl Popper, um dos fundadores da corrente filosófica do pós-positivismo, o propósito da ciência não é a obtenção de enunciados absolutamente certos. A conquista da verdade absoluta, a seu ver, é inatingível.


É assim que nos, brasileiros, devemos rever as forças que nos levaram a republica. O método cientifico aplicado a administração publica deve consistir numa busca por uma aproximação constante da verdade.

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